Resenha: Divinos Rivais | A história que me lembrou por que amo escrever 🍒🍒🍒🍒🍒
- Laatena

- 6 de mai.
- 4 min de leitura
Divinos Rivais é o tipo de livro que prende, envolve e deixa uma marca muito depois da última página. A história acompanha Iris e Roman, dois jovens jornalistas que vivem em lados opostos de uma guerra devastadora, mas que acabam conectados por algo muito mais íntimo e inesperado: cartas trocadas em meio ao caos. A partir dessa premissa, Rebecca Ross constrói uma narrativa que mistura fantasia, romance, dor, esperança e um sentimento constante de urgência, enquanto acompanha personagens tentando sobreviver não apenas à guerra ao redor, mas também às próprias perdas, medos e fragilidades.

Logo no início, o livro já deixa claro que não será apenas uma história bonita ou delicada. Existe um peso muito real no cenário construído pela autora, e isso se reflete em cada página. A guerra está sempre presente, seja nos silêncios, nas ausências, nas cidades destruídas, no medo ou nas pequenas tentativas de continuar vivendo apesar de tudo. Rebecca Ross tem uma escrita que faz com que o mundo vá se revelando aos poucos, quase como se o leitor estivesse entrando lentamente em um filme antigo, envolto por uma atmosfera melancólica, poética e ao mesmo tempo profundamente humana. E esse ritmo, na minha opinião, funciona lindamente.
O desenvolvimento da história é um dos grandes acertos do livro. A autora sabe dosar muito bem a construção do universo, a tensão da trama e o crescimento emocional dos personagens. Mesmo quando a narrativa toca em temas pesados, há uma sensibilidade muito forte na forma como tudo é conduzido. Nada parece gratuito. As dores dos personagens, os horrores da guerra e os momentos de vulnerabilidade são escritos com uma empatia que torna a leitura ainda mais impactante. Em vários momentos, eu senti o peso da tensão, o medo e a incerteza junto com os personagens. E isso fez toda a diferença para mim.
“Acho que todos nós usamos armadura. Acho que aqueles que não o fazem são tolos, arriscando-se a sofrer a dor de serem feridos pelas arestas afiadas do mundo, repetidamente. Mas se aprendi alguma coisa com esses idiotas é que ser vulnerável é uma força que muitos de nós tememos. É preciso coragem para baixar a armadura, para aceitar que as pessoas vejam você como você é.”
Mas o que realmente faz Divinos Rivais ser tão especial são os personagens. Iris e Roman são o coração dessa história. Iris me conquistou pela sua força silenciosa, mas também pela sua solidão, pelo medo e pela maneira como ela carrega tanta coisa dentro de si sem deixar de seguir em frente. Ela é uma personagem que parte o coração, mas que também inspira, porque existe nela uma resistência muito bonita. Já Roman é igualmente marcante: leal, intenso e profundamente humano. O amor e a dedicação dele transparecem em cada gesto, em cada palavra, em cada decisão. A conexão entre os dois é construída com tanta delicadeza e tanta química que fica impossível não se envolver.
“Ele me encontrou no meu dia mais sombrio. Ele me seguiu até a guerra, até a linha de frente. Ele se interpôs entre mim e a Morte, sofrendo ferimentos que deveriam ser meus.”
Além deles, os personagens secundários também enriquecem muito a narrativa. Mesmo aqueles que aparecem por pouco tempo deixam alguma marca na história, seja pelo peso emocional, pela função que exercem na trama ou pelo modo como ajudam a dar mais vida a esse universo. Isso mostra o quanto Rebecca Ross tem cuidado com tudo que escreve. Nada parece jogado; tudo contribui para a sensação de que estamos diante de uma história completa, viva e profundamente pensada.
“Adoro as palavras que escrevo até logo perceber o quanto as odeio, como se estivesse destinado a estar sempre em guerra comigo mesmo.”
E, para mim, existe ainda um ponto muito pessoal que faz esse livro ter um lugar especial. Como jornalista e alguém que ama escrever, eu senti um carinho enorme por essa história justamente porque ela fala tanto sobre palavras, comunicação, conexão e o poder que a escrita pode ter. Há algo muito bonito na forma como Divinos Rivais trata a linguagem não apenas como ferramenta, mas como vínculo, como abrigo e como resistência. Foi impossível não me identificar com isso. A escrita de Rebecca Ross tem uma sensibilidade que me conquistou de forma absurda, e eu realmente queria guardar aquela atmosfera comigo.
Minha opinião sobre esse livro é simples: eu amei tudo. A escrita, o ritmo, o mundo, os personagens, o romance, a tensão, os temas pesados, a emoção e até o final surpreendente, que só me deixou ainda mais curiosa para continuar a história. Foi uma leitura arrebatadora, daquelas que fazem a gente sentir vontade de sair recomendando para todo mundo imediatamente. É um livro bonito, doloroso, esperançoso e muito envolvente.
“Estou começando a amá-lo, de duas maneiras diferentes. Cara a cara e palavra por palavra.”
Por isso, Divinos Rivais entrou facilmente para a lista dos meus favoritos da vida. É uma história que eu guardo com muito carinho e que, sem dúvida, me marcou de uma forma especial. Foi uma experiência de leitura emocionante, intensa e inesquecível, exatamente o tipo de livro que lembra por que eu amo tanto ler.

DIVINOS RIVAIS - REBECCA ROSS SINOPSE:
Após séculos adormecidos, os deuses estão em guerra novamente. No entanto, a única preocupação de Iris Winnow, uma jovem jornalista de dezoito anos, é manter sua família unida e em segurança.
Enquanto a mãe de Iris sofre para superar um vício e o irmão está desaparecido em meio às trincheiras da guerra, a melhor forma de a garota atingir seu objetivo é conquistando a vaga de colunista no jornal onde trabalha, a Gazeta de Oath.
Enquanto isso, para lidar com suas preocupações, Iris escreve cartas para o irmão. Porém, misteriosamente, elas vão parar nas mãos de Roman Kitt, seu insensível e fascinante rival na redação do jornal.
Quando ele passa a responder anonimamente as cartas, os dois criam uma conexão mágica que seguirá Iris até a linha de frente da batalha, em uma busca por seu irmão, pela salvação da humanidade e pelo amor.




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