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Resenha: Espere por Mim | Um romance sobre cura e pertencimento 🍒🍒🍒,5

  • Foto do escritor: Laatena
    Laatena
  • 27 de mai.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 23 de jun.

Conhecemos Diana em A Muralha de Winnipeg e Eu, como a melhor amiga de Vanessa, e foi justamente por isso que a expectativa para a sua própria história era tão alta. Em Espere por Mim, publicado pela Editora Charme, Mariana Zapata entrega um romance que mistura cotidiano, emoções, responsabilidade e um slow burn característico da autora. Aqui, acompanhamos Diana em uma fase completamente diferente da vida: após a morte repentina do irmão, ela assume a guarda dos sobrinhos, Louie e Josh, e passa a carregar sozinha uma responsabilidade enorme. Ao mesmo tempo em que tenta ser forte para os meninos, ela também precisa lidar com suas próprias inseguranças, medos e dúvidas sobre estar fazendo tudo certo.



A história começa quando Diana se muda para uma nova casa e acaba entrando em contato com Dallas, seu vizinho rabugento, fechado e nada fácil de lidar. Entre desentendimentos, provocações e uma convivência que vai se desenrolando aos poucos, Mariana Zapata constrói o relacionamento dos dois da forma que sabe fazer tão bem: com calma, tensão emocional e muita construção de vínculo. Como em outros livros da autora, não se trata de uma história acelerada ou cheia de reviravoltas; o foco está na rotina, nas relações e na evolução dos personagens. E é justamente nesse ponto que o livro ganha seu charme. É uma leitura que conquista pela delicadeza do cotidiano e pela forma como pequenos gestos ganham significado.


"De todas as casas que você poderia ter comprado, você obteve a do meu outro lado da rua. De todos os esportes que Josh poderia ter jogado, foi baseball e aconteceu de eu treinar sua faixa etária. Você estava destinada a estar na minha vida."

Minha experiência com a leitura foi um pouco dividida. No começo, eu estava completamente presa à história. Li as primeiras 300 páginas muito rápido, porque a narrativa realmente me fisgou de cara. Eu estava gostando da proposta, da Diana, dos sobrinhos e da expectativa em torno de Dallas. Mas, do meio para o fim, senti que a história ficou mais parada e que algumas cenas se estenderam demais sem necessidade. Em vários momentos, a leitura acabou ficando arrastada, e isso me fez perder um pouco o ritmo. Eu entendo que é um romance slow burn — e eu gosto muito desse tipo de construção —, mas aqui senti que faltou um pouco mais de acontecimento para sustentar a extensão do livro.


Ainda assim, o que mais me conquistou foi, sem dúvida, a relação da Diana com Josh e Louie. Essa dinâmica é linda, divertida, sincera e cheia de carinho, e foi o que realmente me manteve envolvida até o final. Os meninos são encantadores, e a forma como Diana se preocupa com eles, mesmo em meio às próprias inseguranças, deixa a história muito mais humana e emocionante. Mariana Zapata conseguiu mostrar muito bem essa ideia de família construída no afeto, na convivência e no cuidado diário. Foi um dos maiores acertos do livro para mim.

“A vida é tão curta, e eu sou velho demais para não saber e correr atrás do que quero. “


Por outro lado, senti falta de mais interações entre Diana e Dallas em alguns momentos. Como a narrativa é toda sob o ponto de vista de Diana, isso também limita um pouco a construção do romance, porque a gente acompanha apenas o que ela sente e interpreta. Então, em certos trechos, eu queria ver mais presença real de Dallas na trama para conseguir sentir melhor o início da conexão entre os dois. Ele é um personagem interessante, com sua própria bagagem emocional, e a dinâmica entre os dois funciona bem quando finalmente engrena. A diferença de idade também traz algumas provocações divertidas e ajuda a deixar a relação dos dois mais saborosa de acompanhar.


Diana, aliás, é uma protagonista muito forte. Ela é uma mulher centrada, independente e cheia de responsabilidades, mas ao mesmo tempo carrega muitas inseguranças, especialmente por conta da forma como foi criada e da relação complicada com a mãe. Gostei bastante dela justamente por isso: porque ela não é perfeita, mas é muito humana. Já Dallas começa como aquele homem rabugento que dá vontade de sacudir, mas depois vai se revelando alguém mais complexo, mais cuidadoso e muito mais fofo do que parece à primeira vista. Ele tem presença, maturidade e aquele ar de “homem certinho” que combina muito com o estilo dos romances da Mariana Zapata.

“A Di que eu conheço— a Diana que eu conheço agora— não desiste das coisas. “

Também gostei muito dos personagens secundários e da forma como eles se entrelaçam na história. Esse é um ponto que sempre me agrada nos livros da autora: ela cria um universo de relações que faz a trama parecer viva. Isso me lembrou do carinho que eu tinha por A Muralha de Winnipeg e Eu e De Lukov, com Amor, que seguem sendo os meus favoritos dela. A escrita da Mariana Zapata continua sendo um dos grandes pontos fortes do livro. Ela sabe construir atmosfera, emoção e conexão entre os personagens como poucas autoras do gênero. Mesmo quando eu senti a história mais lenta, ainda conseguia perceber o cuidado dela em cada detalhe da relação construída.


No fim das contas, Espere por Mim é um livro fofo, sensível e muito focado em sentimentos, crescimento pessoal e conexão emocional. Não é uma leitura de ação, nem uma história cheia de acontecimentos explosivos. É um romance para acompanhar aos poucos, com paciência, e para se apegar aos personagens no processo. Para mim, ele não entrou para os meus favoritos da autora e acabou perdendo algumas estrelas por causa do ritmo e da extensão excessiva da narrativa, então minha nota foi 3,5. Ainda assim, é uma leitura que tem seus encantos, principalmente pela relação entre Diana, Josh e Louie, e pela forma como Mariana Zapata trabalha os vínculos afetivos.

"Eu quero você. Eu quero o seu sorriso. Seus abraços. Seu amor. Eu quero a sua felicidade." Ele fez uma pausa. "Cada coisa." Era isso como se sentia ao levar um tiro no coração?

Se você gosta de histórias mais calmas, com desenvolvimento gradual e muito foco nas relações, Espere por Mim pode funcionar bem. Mas, se você procura um romance mais dinâmico, talvez sinta a leitura um pouco arrastada em alguns momentos. Para mim, foi uma experiência boa, embora não tenha sido uma das mais marcantes da autora. Mesmo assim, sigo com vontade de ler outros livros dela, porque Mariana Zapata continua sendo uma autora que sabe construir romances com emoção e personalidade.




ESPERE POR MIM SINOPSE:

Se alguém já disse alguma vez que ser adulto é fácil, não é um adulto há tempo suficiente.

Diana Casillas admite: durante metade do tempo, ela não sabe o que diabos está fazendo.


Ter conseguido passar pelos últimos dois anos sem matar alguém não foi nada menos que um milagre. Ser adulta não deveria ser tão difícil assim.


Com uma casa nova, dois garotinhos que herdou da maneira mais dolorosa possível, um cachorro gigante, um emprego que ela geralmente adora, mais família que o suficiente, e amigos, ela tem quase tudo que poderia pedir. Exceto um namorado. Ou marido. Mas quem precisa de um ou de outro?


1 comentário


joao rohling
joao rohling
27 de mai.

Estava louco pela sua resenha desse livro, não gostei muito dele e queria muito ver o que ia falar

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