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Resenha | Bourbon e Mentiras: uma boa premissa que poderia ter sido muito mais 🍒🍒🍒

  • Foto do escritor: Laatena
    Laatena
  • há 11 minutos
  • 14 min de leitura

Às vezes a gente escolhe um livro acreditando que sabe exatamente o que vai encontrar pela frente e acaba recebendo uma história completamente diferente. Foi exatamente o que aconteceu comigo com Bourbon e Mentiras, de Victoria Wilder. Só pelo título e pela proposta inicial, eu esperava encontrar um suspense policial envolvente, cheio de investigação, mistério, reviravoltas e, de preferência, aquele equilíbrio entre romance e tensão que eu adoro encontrar em suspenses românticos. A história até começa com uma morte e existe, de fato, um mistério envolvendo uma das protagonistas, mas logo percebi que essa parte não seria o foco principal da narrativa. No fim das contas, Bourbon e Mentiras é muito mais um romance ambientado em um cenário de suspense do que propriamente um suspense romântico, e acredito que essa diferença entre o que eu esperava e o que o livro realmente entrega acabou influenciando bastante a minha experiência de leitura.



A trama acompanha Grant Fox, um homem que abandonou tudo para seguir carreira na polícia e que vê sua vida desmoronar depois da morte da mulher que amava durante uma ocorrência. Consumido pela culpa e incapaz de seguir em frente, Grant deixa a profissão e retorna para a propriedade da família, onde passa a trabalhar na tradicional destilaria de bourbon dos Fox. Cinco anos depois, ele continua preso ao passado, vivendo de maneira bastante fechada e sem demonstrar qualquer interesse em reconstruir a própria vida. É nesse cenário que Laney chega à propriedade acompanhada por uma agente federal. Ela é uma testemunha importante e está sendo mantida escondida por motivos que não podem ser revelados, o que faz com que sua presença desperte imediatamente a curiosidade de Grant. Enquanto tenta reconstruir a própria vida e permanecer segura, Laney também acaba se aproximando daquele homem que parece carregar tantos segredos quanto ela. A partir daí, o romance começa a se desenvolver enquanto o leitor tenta entender exatamente o que aconteceu com Laney e por que ela precisou desaparecer de sua antiga vida.


E, apesar de todas as ressalvas que tive ao longo da leitura, preciso reconhecer que a premissa tinha bastante potencial. A ideia de juntar uma protagonista que está escondida dentro de um programa federal de proteção a testemunhas com um homem traumatizado pelo passado e uma família tradicional envolvida com a produção de bourbon poderia render uma história cheia de tensão. O problema é que, para mim, o livro nunca aproveitou completamente esse potencial. Eu queria descobrir o que tinha acontecido com Laney, principalmente porque a narrativa passa bastante tempo criando a sensação de que existe algo muito maior por trás daquela situação. O próprio comportamento dela faz parecer que existe um segredo enorme escondido ali, e durante boa parte da leitura eu fiquei tentando entender o tamanho daquela história. Enquanto isso, o passado de Grant já é apresentado logo no início, então seu mistério é muito menor: nós sabemos desde as primeiras páginas o que aconteceu com ele e por que aquilo o marcou tanto. Dessa forma, a curiosidade acabou ficando quase toda concentrada em Laney.

"- Eu sei que seu nome verdadeiro não é Laney Young. Eu sei que você não é do Colorado e sei que está escondendo alguma coisa. Assim como eu sei que você é tudo em que consigo pensar."

Uma das poucas coisas que realmente me surpreendeu positivamente foi justamente o cenário envolvendo o bourbon. Eu não esperava que a produção da bebida tivesse tanto espaço dentro da história, mas gostei bastante da forma como a autora inseriu esse universo. Em nenhum momento achei que as explicações sobre a destilaria ou sobre o processo de produção fossem cansativas ou repetitivas. Pelo contrário, foi interessante conhecer um pouco da tradição da família Fox e entender como aquele negócio funcionava, porque a autora conseguiu transformar essas informações em parte natural da narrativa, sem parecer que estava simplesmente despejando conteúdo para o leitor. Foi, inclusive, uma das partes em que senti que o livro tinha uma identidade própria, já que o cenário da destilaria acaba sendo muito mais interessante do que eu esperava e combina bem com a proposta de uma família tradicional de interior.


No geral, a história conseguiu manter minha curiosidade durante boa parte da leitura, principalmente por causa do mistério envolvendo Laney e da vontade de entender o que realmente estava acontecendo. A escrita da Victoria Wilder também contribui bastante para isso, porque é fluida e fácil de acompanhar. O problema é que, conforme a história avançava, comecei a sentir cada vez mais que o suspense estava sendo deixado de lado para dar espaço ao romance, e isso acabou me incomodando bastante. Eu gosto muito de romances com elementos de suspense, mas aqui senti que o equilíbrio foi se perdendo aos poucos. O livro começa criando uma expectativa de que teremos uma trama mais investigativa, passa bastante tempo alimentando algumas perguntas e, quando finalmente chega a hora de entregar as respostas, parece ter pressa para resolver tudo.


Um romance que tinha potencial, mas não me conquistou completamente


Se tem uma coisa que eu preciso reconhecer é que o romance entre Grant e Laney não é ruim. Na verdade, existe uma dinâmica interessante entre os dois e, em alguns momentos, gostei bastante de acompanhá-los. O problema é que, para mim, faltou justamente aquilo que faria essa relação deixar de ser apenas um romance agradável e se tornar um casal pelo qual eu realmente torcesse. Grant e Laney são duas pessoas carregando passados bastante complicados, ambos escondendo coisas e tentando reconstruir suas vidas depois de experiências traumáticas, então existia muito material para trabalhar emocionalmente essa relação. Porém, senti que a autora ficou muito mais interessada em usar esses traumas como combustível para aproximar os dois do que em realmente explorar as consequências que eles tiveram na vida de cada personagem.


O que mais me incomodou foi a velocidade com que Grant fica interessado em Laney. Ela chega à cidade praticamente ontem e, em pouquíssimas páginas, ele já está completamente intrigado por ela. Eu até consigo entender a curiosidade inicial, principalmente porque Grant é um ex-policial e está acostumado a observar as pessoas, enquanto Laney claramente é uma desconhecida que apareceu de repente na propriedade de sua família cercada de segredos. O problema é que a própria família dele comenta várias vezes que eles estão acostumados a receber turistas e pessoas de fora, então essa obsessão toda com a presença dela acaba parecendo um pouco exagerada. E estamos falando de um homem de mais de trinta anos, que passou por experiências bastante traumáticas e que deveria ter um pouco mais de maturidade emocional, então algumas das atitudes dele me fizeram pensar: meu querido, você realmente precisa fazer tanta picuinha por causa de uma mulher que acabou de chegar na cidade? 😂 Eu esperava que a aproximação dos dois fosse um pouco mais gradual e baseada em uma conexão que fosse crescendo conforme eles se conhecessem, principalmente porque a própria história tinha espaço para isso.

"- Essa atração que sinto quando você está perto de mim... Eu não dou a mínima para quem você era, Laney. A única coisa que importa é a mulher que está dançando comigo agora."

Ainda assim, conforme os dois passam mais tempo juntos, a relação começa a funcionar melhor. O fato de ambos estarem escondendo partes importantes de suas histórias cria uma espécie de identificação entre eles, mesmo que de maneiras diferentes. Laney está tentando sobreviver depois de precisar abandonar sua identidade e entrar em um programa de proteção a testemunhas, enquanto Grant vive preso à culpa pela morte da ex-mulher. São experiências completamente diferentes, mas os dois entendem o que significa ter a própria vida marcada por algo que aconteceu no passado. O romance poderia ter explorado justamente essa conexão entre eles, mostrando duas pessoas que precisam aprender a deixar de sobreviver e finalmente voltar a viver. Em alguns momentos isso aparece, mas nunca com a profundidade que eu esperava.


E aqui chegamos a um dos pontos que mais me incomodaram: os traumas dos dois parecem ser resolvidos rápido demais. A história constrói o passado de Grant como algo que define completamente sua vida há cinco anos, mas, quando finalmente chega o momento de ele falar sobre o que aconteceu, a questão é praticamente resolvida em um capítulo. Eu entendo que conversar sobre um trauma pode ser um passo importante para superá-lo, mas a narrativa faz parecer que uma ferida que acompanhou o personagem durante anos simplesmente perde força depois de uma conversa. Com Laney acontece algo parecido, talvez até mais frustrante, porque a situação dela tinha potencial para ser uma das partes mais interessantes do livro. Ela precisou fugir, trocar de identidade, deixar a própria vida para trás e viver escondida porque estava sendo perseguida, e eu esperava que isso tivesse consequências muito mais profundas na personagem. No entanto, depois que ela chega à propriedade dos Fox, esse aspecto acaba ficando cada vez mais distante da narrativa, como se o perigo que a levou até ali tivesse sido apenas uma justificativa para colocá-la naquele lugar e aproximá-la de Grant.

"-Mas esse não é você. Ela suspira. Você é apenas um idiota quando quer, mas no resto do tempo, você é o tipo de cara que garotas como eu esperam aparecer em um cavalo e fazer quase tudo...melhorar."

Também senti que o romance começa a ocupar espaço demais justamente quando a história precisava desenvolver melhor o suspense. Depois de aproximadamente 60% do livro, tive a sensação de que a narrativa entrou em um ciclo que se repetia: aproximação dos dois, tensão, cenas cada vez mais focadas na atração física e novamente o romance tomando conta da história. E aqui entra uma coisa que provavelmente já ficou bem clara nas minhas outras resenhas: eu não tenho problema com cenas hot, mas me incomoda muito quando elas começam a ocupar o espaço que poderia estar sendo utilizado para desenvolver a história. Foi exatamente essa sensação que tive aqui. Em determinado momento, parecia que o livro estava trocando páginas que poderiam aprofundar o mistério, os personagens ou os conflitos por mais uma cena sexual. E, como eu já estava esperando respostas para várias questões, isso fez o meio da história parecer ainda mais lento.


No fim, acho que Grant e Laney tinham potencial para formar um casal muito mais interessante do que aquele que encontrei na página. A ideia de duas pessoas traumatizadas, ambas tentando reconstruir suas vidas e encontrando uma na outra a possibilidade de recomeçar, é ótima. O problema é que a autora não explora isso com a profundidade necessária. Eles funcionam bem na superfície, têm química e conseguem sustentar uma boa parte da leitura, mas não consegui me conectar emocionalmente com os dois. E talvez essa seja uma das maiores diferenças entre achar um romance bom e realmente se apaixonar por ele: eu gostei de acompanhar Grant e Laney, mas nunca cheguei ao ponto de me importar profundamente com o destino deles.


O suspense que prometia muito, mas perdeu força no caminho


Se existe uma coisa que mais me frustrou em Bourbon e Mentiras, foi justamente o suspense. Como falei no início, comecei a leitura esperando uma história muito mais investigativa, então talvez eu tenha criado expectativas altas demais, mas acho que o próprio livro contribui para isso. A história começa apresentando uma situação que parece muito maior do que realmente é, principalmente por causa do passado de Laney e de toda a questão envolvendo a proteção a testemunhas. Durante boa parte da leitura, fica aquela sensação de que existe algo enorme escondido por trás daquela mulher, e eu passei bastante tempo tentando entender o que ela tinha visto, o que tinha feito e por que precisava desaparecer daquela maneira. A autora trabalha bastante com essa ideia de que Laney carrega um segredo terrível, e confesso que cheguei a imaginar coisas muito mais graves do que aquilo que realmente estava por trás de sua situação. Eu esperava que, quando finalmente descobríssemos a verdade, tivesse aquele momento de "MEU DEUS, AGORA TUDO FAZ SENTIDO". Só que isso não aconteceu. Quando a verdade finalmente aparece, minha reação foi muito mais próxima de "era só isso?". E isso é especialmente frustrante porque o livro passou tanto tempo construindo expectativa em torno desse segredo que eu esperava uma recompensa proporcional.


O problema é que o suspense começa forte, vai perdendo espaço no meio e, quando finalmente chega a hora de resolver as coisas, parece que a autora percebeu que precisava terminar o livro e decidiu correr. Depois dos 60%, senti muito essa mudança de ritmo. A história começou a ficar mais lenta, algumas partes pareciam se prolongar além do necessário e eu já estava naquele ponto de "meu Deus, isso não acaba nunca?". Ao mesmo tempo, o romance estava ocupando cada vez mais espaço, então eu sentia que a narrativa estava andando em círculos enquanto as perguntas que realmente me interessavam continuavam sem resposta. E o mais curioso é que, quando finalmente chegamos às respostas, tudo acontece rápido demais. É aquela sensação muito estranha de passar boa parte do livro esperando alguma coisa acontecer e, quando finalmente acontece, você mal consegue processar porque a autora já está correndo para a próxima cena.


E isso fica ainda mais evidente no grande conflito envolvendo o suposto serial killer. Esse foi, sem dúvida, um dos pontos que mais me decepcionaram. A história constrói esse homem como alguém extremamente perigoso, um criminoso temido e procurado, alguém que esconde corpos e que teria feito coisas horríveis com suas vítimas. Existe toda uma expectativa de que esse personagem terá uma participação importante na reta final, justamente porque ele representa a maior ameaça da história. Só que, quando finalmente chega o momento de confrontá-lo, tudo é resolvido praticamente em um capítulo. Não houve aquela tensão que eu esperava, não houve uma investigação que levasse até ele, não houve tempo suficiente para que o perigo realmente fosse sentido e, principalmente, não houve impacto. Parecia que a autora tinha passado o livro inteiro construindo um vilão que, no momento em que deveria brilhar, simplesmente apareceu, foi derrotado e desapareceu da história. Para mim, esse foi um dos maiores exemplos de como o final poderia ter sido muito mais bem desenvolvido.


Também senti falta de consequências mais reais para tudo o que acontece. Grant passou anos carregando o peso da morte da mulher que amava, Laney precisou abandonar completamente sua identidade e fugir para sobreviver, existe um serial killer envolvido em toda a situação e, ainda assim, muitas dessas coisas parecem ser resolvidas com uma facilidade que não combina com a dimensão que a própria história apresenta. É justamente por isso que fiquei com a sensação de que os personagens estavam sempre na superfície. A autora nos conta que eles sofreram, conta que eles carregam traumas e explica por que determinadas situações são importantes, mas nem sempre nos permite sentir o peso dessas experiências junto com eles. E, para mim, isso acaba sendo um problema maior do que simplesmente deixar uma ponta solta, porque é justamente o aprofundamento emocional que faria com que eu me importasse mais com o que estava acontecendo.

"Com a pergunta pendurada sem resposta, ela se inclina para frente e roça seus lábios nos meus. - Não dissemos mais mentiras, lembra?"

Apesar disso, preciso reconhecer que a escrita da Victoria Wilder é bastante fluida. Mesmo nos momentos em que achei a história arrastada, nunca tive dificuldade para avançar na leitura. A autora escreve de uma maneira fácil e confortável de acompanhar, e o cenário do bourbon continua sendo uma das partes que mais gostei. Talvez seja justamente por isso que eu tenha terminado o livro mesmo estando frustrada com alguns aspectos: a leitura não se torna difícil ou cansativa pela escrita, e existe sempre alguma coisa que mantém a curiosidade funcionando. O problema é que, para mim, essa curiosidade nunca chegou a se transformar em surpresa ou em uma sensação real de tensão. Eu queria descobrir o que aconteceria, mas raramente fiquei genuinamente chocada com o que descobri.


Personagens que poderiam ter ido muito além


Outro ponto que me deixou um pouco dividida foi a construção dos personagens. Eu gostei da família Fox e de toda a dinâmica entre os irmãos. Eles são carismáticos, divertidos e trazem uma energia interessante para a história, principalmente quando começam aquelas discussões e provocações familiares que são quase obrigatórias em romances de cowboy. 😂 Inclusive, acho que os personagens secundários acabam sendo mais interessantes em alguns momentos do que os próprios protagonistas, justamente porque conseguem trazer um pouco mais de leveza para a narrativa. O problema é que, apesar de eu ter gostado deles enquanto estavam em cena, não consegui criar uma conexão realmente profunda com ninguém. E isso também aconteceu com Grant e Laney. Eles são personagens interessantes, possuem histórias complicadas e conflitos que poderiam render bastante, mas senti que a narrativa ficou sempre na superfície. Sabemos o que aconteceu com eles, sabemos que sofreram e entendemos que aquilo mudou suas vidas, mas faltou sentir essas coisas junto com eles. Eu queria ter conhecido melhor essas pessoas para além dos traumas que carregavam e, principalmente, queria ter sentido que eles haviam realmente mudado depois de tudo o que passaram.

" - Não importa onde vocês estejam, - Griz diz enquanto olha para cada um de nós, - vocês são meus gartos do bourbon. E estou muito orgulhoso."

Grant, especialmente, tinha muito potencial para ser um protagonista mais complexo. A ideia de um policial que abandona a carreira depois de perder a mulher que amava durante uma ocorrência é ótima e poderia render um arco emocional muito forte. Só que o trauma dele acaba sendo apresentado de uma forma muito mais simples do que eu esperava, e quando finalmente ele fala sobre o que aconteceu, a questão parece praticamente resolvida. Para alguém que passou cinco anos vivendo preso à culpa, achei tudo rápido demais. Laney também sofre com um problema parecido. Sua situação inicial é interessante e cria muitas perguntas, mas depois que ela chega à propriedade dos Fox, o fato de estar escondida e precisar de uma nova identidade perde bastante força dentro da narrativa. Eu queria ter visto mais das consequências de tudo aquilo, mais medo, mais insegurança, mais dificuldade para confiar nas pessoas e até mais conflito interno. Afinal, estamos falando de uma mulher que precisou abandonar a própria vida e desaparecer porque estava sendo perseguida. É uma experiência que deveria deixar marcas muito mais profundas na personagem.


E talvez seja justamente por isso que o final tenha me decepcionado tanto. Depois de passar boa parte do livro criando expectativas sobre o mistério, eu esperava que a reta final entregasse algo realmente impactante. Mas aconteceu justamente o contrário: tudo pareceu acontecer rápido demais. O serial killer, que deveria ser uma das maiores ameaças da história, é simplesmente resolvido em um capítulo, sem tempo suficiente para criar tensão ou emoção. A revelação não teve o peso que eu esperava e fiquei com a sensação de que um conflito que poderia ter sustentado uma parte muito maior da história foi simplesmente encerrado porque o livro precisava acabar. Algumas questões relacionadas aos protagonistas também são resolvidas de maneira muito conveniente, e isso acabou reforçando a sensação de que faltou desenvolvimento justamente onde eu mais queria encontrar.


Considerações finais


No fim das contas, Bourbon e Mentiras não foi uma leitura que eu odiei. Muito pelo contrário: a escrita da Victoria Wilder é fluida, o cenário da destilaria foi uma surpresa muito agradável e a história possui uma premissa interessante. Eu também gostei do romance entre Grant e Laney em alguns momentos e consegui acompanhar a leitura sem grandes dificuldades. O problema é que não consegui me conectar emocionalmente com os personagens ou com a história de uma maneira mais profunda, e a diferença entre aquilo que eu esperava encontrar e o que o livro realmente entregou acabou pesando bastante na minha experiência. Comecei esperando um suspense romântico e encontrei um romance hot com uma camada de suspense que, depois de determinado ponto, ficou cada vez mais fraca. Principalmente depois dos 60%, senti que a história perdeu espaço para cenas que, para mim, poderiam ter sido substituídas por desenvolvimento de personagens e da própria trama.


Por isso, minha principal recomendação seria para quem está procurando justamente um romance de cowboy mais focado no casal, na atração e nas cenas hot, e não necessariamente para quem está buscando um suspense cheio de investigação e reviravoltas. Para esse primeiro grupo, acredito que Bourbon e Mentiras pode funcionar muito melhor do que funcionou para mim. Já para quem, assim como eu, entra na leitura esperando que o mistério seja uma parte importante da história, talvez seja melhor ajustar um pouco as expectativas. Apesar de todas as minhas críticas, fiquei curiosa para saber como será o próximo livro da série, principalmente porque ouvi que ele é mais forte e talvez tenha justamente os elementos que senti falta aqui. Então, mesmo não tendo me apaixonado por Bourbon e Mentiras, não descarto continuar acompanhando a série para descobrir o que Victoria Wilder pode entregar nos próximos volumes.



Bourbon e Mentiras - Victoria Wilder Sinopse:

Em Fiasco, Kentucky, existe uma regra: nunca se apaixonar por um Foxx. Toda mulher que comete esse erro acaba morrendo. Pelo menos é o que os moradores da cidade dizem.

Grant Foxx já viveu isso na pele e prometeu nunca mais viver de novo.

Seu faro de ex-policial lhe diz que Laney Young, a linda forasteira que acabou de chegar a Fiasco, está fugindo de algo. Afinal, mentiu sobre o lugar de onde veio e sobre o que está fazendo na cidade.

Grant acha melhor manter distância dela, mas seus irmãos discordam e de repente Laney está em todos os lugares: trabalhando na destilaria da família, dormindo na casa de hóspedes e entrando nua no bebedouro dos cavalos dele. Acima de tudo, fazendo-o querer coisas que jurou nunca mais desejar.

Quando o passado de Laney ressurge e se mistura ao de Grant, as mentiras dela pouco a pouco começam a ruir, fazendo com que ela precise cada vez mais de proteção. Agora, para os dois, as regras são a última coisa que importa.

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