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Resenha: Binding 13 | A história que me fez amar Boys of Tommen 🍒🍒🍒🍒🍒

  • Foto do escritor: Laatena
    Laatena
  • 1 de jun.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 23 de jun.

Tudo o que falam sobre Binding 13 é verdade. Eu li em apenas três dias, completamente obcecada, e essa leitura foi um verdadeiro turbilhão de sentimentos. O enredo e os personagens são tão cativantes que foi impossível não me prender logo de início. Quando percebi, já estava pensando no livro o tempo todo, querendo ler “só mais um capítulo” a cada pausa. Eu já tinha interesse por conta do hype enorme que a obra carrega, mas acabei adiando a leitura até comprar os quatro primeiros volumes e descobrir que a adaptação também estava a caminho. No fim, ainda bem que finalmente peguei para ler, porque valeu cada página.




Binding 13 acompanha a história de Shannon Lynch, uma garota de quinze anos que sofreu bullying durante toda a vida, tanto na escola quanto em casa. Viver com medo era sua rotina, até que sua mãe finalmente consegue transferi-la para outra escola, na esperança de que ela tenha uma chance de recomeçar. É nesse novo ambiente que Shannon conhece Johnny Kavanagh, um jogador de rúgbi que, logo no primeiro dia, acaba machucando-a acidentalmente com uma bolada na cabeça. O acidente o assusta, principalmente quando percebe a gravidade da situação, já que Shannon fica com uma concussão. A partir daí, Johnny passa a se preocupar com ela de uma forma que vai muito além de um simples pedido de desculpas.


“P#rra, ela era linda demais. A voz. O cabelo. O cheiro. O jeito de falar. Tudo nela.”

Johnny, de início, acredita que garotas só trariam complicações desnecessárias para sua vida. Ele não estava interessado em relacionamentos e fazia questão de manter tudo apenas no campo casual. Ainda assim, por mais que tentasse manter distância, ele simplesmente não conseguia se afastar de Shannon. Aos poucos, começa a protegê-la, a observá-la, a se importar com o que acontece com ela e a fazer pequenas coisas por ela, desde garantir que ninguém a maltrate até levá-la para casa. O mais bonito é que, apesar da diferença de idade e de tudo o que os dois vivem, a conexão entre eles nasce de forma muito lenta, delicada e real.

“Sai logo de perto dessa garota antes que você faça alguma coisa idiota, como perder o controle do coração, além do da cabeça, meu cérebro avisou enquanto eu saí do estacionamento, com os nervos em frangalhos. Tarde demais, babaca, meu coração provocou.”

Eu entendo perfeitamente por que esse livro gera debate. É fácil olhar para os protagonistas adolescentes e classificá-lo como uma leitura jovem, mas também faz sentido que algumas pessoas se preocupem com os temas mais pesados abordados ao longo da história. Na nota da autora, Chloe Walsh recomenda a leitura para maiores de 16 anos, e, honestamente, acho essa uma orientação bastante coerente. Para mim, Binding 13 se encaixa sim na categoria de literatura juvenil, especialmente para leitores a partir do ensino médio, quando já existe mais maturidade para lidar com assuntos difíceis. O livro toca em temas pesados, mas de uma forma que pode ser importante para adolescentes que já estão entrando em contato com as dores, confusões e descobertas dessa fase da vida.


O que mais me surpreendeu foi como eu fiquei completamente obcecada, mesmo o livro não tendo exatamente os elementos que normalmente mais me chamam atenção. Não é uma história particularmente picante, não há mistério nem suspense, e tudo gira em torno de adolescentes, algo que, em tese, não costuma ser meu gênero favorito. Ainda assim, a escrita de Chloe Walsh é tão fluida e envolvente que eu simplesmente não conseguia parar. Ela constrói os personagens de um jeito tão humano que a necessidade de continuar lendo se torna absurda. Você sente tudo junto com eles: a dor, a raiva, o medo, o carinho, a esperança.


Shannon me partiu o coração inúmeras vezes. Em vários momentos, eu só queria entrar no livro e protegê-la de tudo. A vida dela é tão dura que é impossível não se emocionar com cada pequeno passo que ela dá. Ao mesmo tempo, eu amei ver como ela vai, aos poucos, encontrando apoio em pessoas que realmente se importam com ela. Isso torna a leitura ainda mais bonita, porque apesar de toda a dor, existe também uma construção de confiança, pertencimento e afeto. Shannon é uma personagem que desperta muita empatia, e eu terminei o livro ainda mais apaixonada por ela.

“Verdade-falou Gibsie, pensativo.—Mas ela não é uma garota qualquer.— Exatamente falei entredentes.—Ela é muito... mais... muito... melhor... importante.”

Johnny, por sua vez, foi o namorado literário perfeito neste primeiro volume. Ele é carinhoso, protetor, paciente e profundamente apaixonado por Shannon. Claro que ele erra — e isso é muito importante — porque ele não é tratado como um protagonista idealizado que faz tudo certo o tempo todo. Ele toma decisões ruins, falha, se afasta em momentos errados e precisa lidar com as consequências disso. E é justamente isso que o torna tão interessante. Ele não é impecável, ele é humano. E esse lado dele deixa a história muito mais forte e convincente.


Outro ponto que eu amei foi a construção lenta do relacionamento dos dois. Eu comecei torcendo para que eles ficassem juntos logo, mas depois percebi que a espera era parte essencial da história. Eles são adolescentes, ambos carregando pressões e traumas enormes, e a autora teve muito cuidado em mostrar como é difícil confiar em alguém quando se tem medo de se machucar de novo. Essa construção cuidadosa fez com que cada aproximação tivesse peso, cada conversa tivesse significado, e cada gesto pequeno parecesse enorme.

“Estava faminto por Shannon e tudo o que ela representava. Cada parte dela. Por dentro e por fora. Queria enfrentar todas as suas batalhas, fazê-la rir e sorrir à vontade. Afastá-la do mundo e ficar com ela só para mim. Eu queria muito ficar com ela. Para sempre.”

E, além do casal principal, os personagens secundários também brilham muito. Isso foi uma das coisas que mais me ganhou no livro. Gibsie, por exemplo, virou oficialmente um dos meus personagens secundários favoritos de todos os tempos. Ele é completamente doido, mas exatamente por isso traz um alívio perfeito para uma história tão pesada. As cenas com ele me fizeram rir alto em vários momentos, e esse humor foi fundamental para equilibrar a carga emocional da narrativa. Também me apeguei muito ao Joey, irmão da Shannon, que eu já fico ansiosa para conhecer melhor nos próximos livros. O cuidado que ele demonstra com ela é tão bonito que dá para perceber que sua história também tem muito potencial.


No fim, Binding 13 foi uma leitura intensa, dolorosa e viciante. Eu sofri, chorei, passei raiva, senti nojo de certos personagens e me apaixonei não só pelo casal principal, mas por todo o grupo. É uma história que me marcou justamente por unir tanto sofrimento com tanta humanidade. Chloe Walsh conseguiu criar personagens que parecem reais, falhos, cheios de camadas, e isso faz com que seja impossível não se envolver. Para mim, foi uma leitura cinco estrelas sem nenhuma dúvida.

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