Resenha: Toda Pra Mim | Um romance maduro, leve e apaixonante🍒🍒🍒🍒
- Laatena

- 17 de jul.
- 8 min de leitura
Toda Pra Mim é o segundo livro da série Uma História de Amor Rebel Blue, da Lyla Sage. Embora cada volume acompanhe um casal diferente, todos se passam no mesmo universo e compartilham os mesmos personagens, então recomendo começar pelo primeiro livro para aproveitar melhor a experiência e evitar alguns spoilers.
Se você ainda não leu minha opinião sobre o início dessa série, a resenha de Feita Pra Mim já está disponível aqui no blog. É só clicar aqui para conferir antes de continuar a leitura.
Depois de ter gostado de Feita Pra Mim, mas sentir que o livro poderia ter ido um pouco além em alguns aspectos, comecei Toda Pra Mim com expectativas relativamente altas, e fico muito feliz em dizer que ele conseguiu superá-las. Desde as primeiras páginas já senti uma diferença enorme entre os dois volumes. Só a cena de abertura conseguiu me envolver muito mais do que boa parte do primeiro livro inteiro, e isso foi um ótimo sinal de que eu provavelmente iria me conectar muito mais com essa história.
No fim das contas, foi exatamente isso que aconteceu.

Acho que um dos maiores méritos da Lyla Sage é entender perfeitamente a proposta dessa série. Toda Pra Mim não tenta ser um romance extremamente complexo ou revolucionário. É um livro curto, ambientado em um rancho, cheio de cowboys, cidade pequena, clima acolhedor e todos aqueles clichês que a gente procura quando escolhe esse tipo de leitura. E justamente por saber qual é sua proposta, o livro funciona muito bem.
O universo country continua sendo um dos maiores charmes da série. Toda a atmosfera do interior, da fazenda, da convivência entre a família Ryder e da rotina do rancho faz com que seja muito fácil querer permanecer naquele ambiente por mais algumas horas. É aquele tipo de cenário que abraça o leitor e faz parte da experiência tanto quanto os próprios personagens.
Ada e Wes: personagens muito mais profundos
Se em Feita Pra Mim senti que Emmy e Brooks poderiam ter recebido um desenvolvimento melhor, aqui tive exatamente o contrário.
Ada e Wes são personagens extremamente cativantes, com personalidades muito bem definidas e muito mais profundos do que o casal do primeiro livro. Existe um cuidado muito maior na construção deles, e acredito que isso acontece justamente porque a autora troca diversas cenas que poderiam ser apenas físicas por momentos de conversa, convivência e desenvolvimento emocional.
O relacionamento deles cresce porque nós entendemos quem eles são antes mesmo de torcer pelo casal.
E isso faz toda a diferença.
Ada merece muito mais defesa do que críticas
Vi algumas críticas dizendo que Ada era uma personagem que fazia papel de coitada, mas, sinceramente, discordo completamente dessa visão. A Lyla Sage apresenta uma mulher divorciada, que saiu de um relacionamento tóxico e está reconstruindo absolutamente tudo na própria vida. É natural que ela carregue inseguranças, baixa autoestima e dificuldades para acreditar que merece ser amada. Esses pensamentos não aparecem para gerar pena do leitor; eles fazem parte da realidade de alguém que passou anos ouvindo que não era suficiente.
Ao mesmo tempo, Ada nunca deixa de demonstrar vontade de recomeçar. Ela quer ser livre. Quer encontrar seu lugar no mundo. Quer descobrir quem realmente é depois de tanto tempo vivendo para outra pessoa. Foi justamente isso que me fez gostar tanto dela.
"Eu vejo você, Ada. Eu sempre vejo você, mesmo quando você não quer olhar para mim."
Em vários momentos me identifiquei com suas inseguranças. Elas fazem sentido dentro da personalidade da personagem e da forma extremamente dura como ela enxerga a si mesma. Ainda assim, o leitor consegue perceber que sua visão sobre si é completamente distorcida. Como mulher que também já enfrentou inseguranças parecidas e passou boa parte da vida sozinha, foi impossível não me emocionar vendo Ada encontrar alguém que a ajudasse a enxergar a si mesma com mais carinho. Graças a Deus eu também encontrei um Wes na minha vida, alguém que me mostrou que a vida pode ser muito mais bonita do que aquilo que a gente acredita nos nossos piores dias.
“Você diz que não é legal, ou caloroso, ou brilhante, ou qualquer uma dessas outras palavras estúpidas que as pessoas usam para descrever o sol, mas eu nunca pedi para você ser o Sol. Eu preferiria ter a lua de qualquer maneira.”
Talvez por isso eu tenha criado um carinho tão grande por ela. Lyla Sage construiu uma protagonista com problemas reais, inseguranças reais e sentimentos extremamente humanos.
Outro detalhe que adorei foi seu sarcasmo. As respostas atravessadas e o humor presente nas falas deixam muitas cenas ainda mais divertidas e tornam Ada uma personagem muito carismática.
O charme de Wes Ryder
Se Ada já conquistou meu coração, Wes simplesmente terminou o serviço. Ele é aquele típico personagem que facilmente poderia cair no estereótipo do "homem perfeito", mas acaba parecendo extremamente humano.
Wes carrega muito da famosa síndrome do filho do meio: vive tentando provar seu valor, mostrar que é capaz e encontrar seu próprio espaço dentro da família. Seu sonho de reformar a antiga casa para transformá-la em um hotel-fazenda representa exatamente isso. Mais do que realizar um projeto profissional, ele quer provar para si mesmo que consegue construir algo importante.
Além disso, Wes é absurdamente gentil.
Respeitoso.
Paciente.
Cuidador.
E isso nunca soa artificial.
Gostei muito da forma como a autora retrata sua depressão. Ela não transforma essa condição em um grande drama para movimentar a história, mas também não a ignora. Wes faz terapia, toma medicação e entende que a depressão não desaparece simplesmente porque alguém encontrou o amor.
“Você é a lua e eu sou as marés. Você me puxa sem nem tentar, e eu venho até você de bom grado. Eu sempre vou.”
Existe uma fala dele que gostei muito: a depressão não tem cura; ela apenas fica esperando uma oportunidade para voltar. E é justamente nesses momentos que precisamos das pessoas que amamos para nos ajudar a encontrar o caminho de volta. Achei uma abordagem extremamente sensível e bastante responsável.
“Em sua essência, Weston Ryder era gentil, e eu pensei que essa era a melhor coisa que um homem poderia ser.”
Também adorei perceber como Wes muda completamente quando está ao lado de Ada. Com os outros personagens ele mantém sua postura habitual, mas perto dela existe uma delicadeza diferente, uma paciência quase infinita e um cuidado que aparece nas pequenas atitudes.
Um romance construído nos detalhes
Talvez o que eu mais tenha amado neste livro seja justamente o fato de o romance não depender apenas de grandes declarações. Os pequenos momentos acabam sendo os mais marcantes.
Wes desenhando novas tatuagens para Ada. Esperando por ela na entrada da cidade porque sabia que ela voltaria. Respeitando seu tempo. Aceitando seus medos. Dizendo que não havia problema se ela precisasse passar alguns meses trabalhando fora, porque eles dariam um jeito de fazer o relacionamento funcionar. São cenas simples, mas dizem muito mais sobre amor do que dezenas de declarações grandiosas.
“Eu segui meus sonhos, e eles me levaram de volta para você.”
As cenas românticas também foram muito bem construídas. Nada parece existir apenas para cumprir tabela. Tudo acontece de maneira natural, contribuindo para fortalecer a relação entre os dois.
Gostei especialmente da dinâmica que eles encontram juntos. Ada demora para aceitar as gentilezas de Wes justamente porque nunca foi tratada daquela maneira. Conforme conhece a família Ryder e entende o ambiente em que ele cresceu, um pai presente, amoroso e que construiu uma relação saudável com os filhos, ela finalmente começa a compreender por que Wes é exatamente daquele jeito. E isso torna o relacionamento ainda mais bonito.
Outro aspecto que gostei bastante é que este não é um romance onde o amor cura todos os traumas dos protagonistas. Eles não deixam de ter suas dificuldades, eles apenas aprendem a conviver melhor com elas. E isso me parece muito mais verdadeiro.
Nem tudo funcionou perfeitamente
Apesar de ter amado a leitura, alguns detalhes me incomodaram.
Em alguns momentos a autora exagera nos clichês. Sei que essa série inteira funciona quase como um filme de Sessão da Tarde em versão country — e isso faz parte da proposta —, mas algumas situações acabam passando um pouco do ponto.
O melhor exemplo disso é quando Ada, uma mulher de aproximadamente 1,70m, simplesmente não consegue alcançar uma prateleira apenas para justificar a ajuda de Wes. Foi impossível não revirar os olhos. Também achei completamente desnecessária a fala sugerindo que garotas que não gostam de Taylor Swift possuem "misoginia internalizada". É um comentário que não acrescenta absolutamente nada à narrativa e acabou me tirando da história naquele momento.
Meu único incômodo realmente importante, porém, foi em relação ao final do casal. Passei o livro inteiro acompanhando o desenvolvimento da relação, os conflitos e toda a construção emocional dos dois. Quando finalmente tudo se resolve, senti falta de passar um pouco mais de tempo com eles vivendo essa nova fase. Fiquei com aquela sensação de que um capítulo extra mostrando o casal feliz teria fechado a história de maneira ainda mais satisfatória.
Um desfecho inesperado
Apesar de sentir falta de um epílogo, ou pelo menos de mais algumas páginas mostrando Ada e Wes aproveitando essa nova fase da relação, preciso reconhecer que o encerramento da história foi muito melhor do que eu imaginava.
A autora consegue inserir alguns acontecimentos que realmente me surpreenderam e fogem do caminho mais previsível que eu esperava para a trama. Quando tudo começou a se encaixar, percebi que estava gostando muito da forma como ela escolheu conduzir os últimos capítulos.
Ou seja, meu problema nunca foi com o desfecho da história em si, mas com o fato de que eu simplesmente queria passar mais tempo com esse casal. No fim, terminei o livro com aquela sensação gostosa de despedida e já ansiosa para continuar acompanhando essa série.
Considerações finais
Toda Pra Mim conseguiu superar Feita Pra Mim em praticamente todos os aspectos. Os personagens são mais profundos, o romance é mais maduro, a química entre o casal funciona muito melhor e o desenvolvimento emocional recebe muito mais espaço do que apenas cenas românticas.
Ada e Wes carregam problemas reais, aprendem a conviver com eles sem depender que o amor resolva tudo e constroem uma relação baseada em respeito, paciência e parceria. Para mim, esse foi o grande diferencial deste volume.
Mesmo com alguns clichês exagerados e a sensação de que o final poderia ter dedicado mais algumas páginas ao casal, terminei a leitura completamente apaixonada pela história. Até agora, este é, sem dúvidas, o meu livro favorito da série Rebel Blue Ranch. Um romance leve, divertido, emocionante e exatamente o tipo de leitura confortável que eu procurava quando decidi voltar para esse universo country.

TODA PRA MIM - LYLA SAGE SINOPSE:
Toda pra mim é o segundo volume da série Fazenda Rebel Blue ― sucesso no TikTok. Uma designer da cidade grande que não confia em ninguém. Um cowboy sensível que ama o campo e sonha em realizar seu grande projeto. O que acontece quando dois opostos se encontram e não conseguem resistir à atração mútua e explosiva?
Ada Hart acaba de conquistar o maior projeto de sua carreira: atuar como designer de interiores de um hotel na bela Fazenda Rebel Blue. Depois de enfrentar anos turbulentos, essa oportunidade é sua chance de abandonar o passado e provar que é capaz de andar com as próprias pernas e ser feliz. Ao chegar à pequena Meadowlark, em Wyoming, ela percebe que está num lugar especial: paisagens de tirar o fôlego, pessoas amigáveis… e um certo cowboy misterioso, cativante, e o homem mais lindo que já viu. É Weston Ryder ― filho do proprietário da Fazenda, e seu novo chefe. Ada logo levanta suas defesas emocionais. Está determinada a não se apaixonar. Nem pelo homem mais doce e maravilhoso que já conheceu… Neste romance arrebatador, repleto de paixão, desejo e amor verdadeiro, a autora Lyla Sage, fenômeno do TikTok, prova mais uma vez que sabe criar histórias inesquecíveis.




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