Resenha: A Paciente Silenciosa | Um enigma cheio de potencial, mas com altos e baixos 🍒🍒🍒
- Laatena

- 7 de mai.
- 5 min de leitura
Eu adicionei A Paciente Silenciosa à minha TBR de 2025 porque estava muito curiosa para entender por que esse livro causava tanto burburinho entre os leitores. O hype em torno dele sempre foi enorme, e eu confesso que comecei a leitura com aquela expectativa cautelosa de quem quer descobrir se a fama realmente fazia sentido. No fim, eu me surpreendi, nem sempre da forma que eu imaginava, mas o bastante para reconhecer que essa é, sim, uma história que provoca reações e deixa marca.

A trama gira em torno de Alicia Berenson, uma mulher que, depois de matar o marido, simplesmente para de falar. Esse silêncio transforma o caso em um enigma ainda maior, e é justamente a partir dele que o livro se desenvolve. A narrativa acompanha principalmente Theo, o psicoterapeuta obcecado por entender o que realmente aconteceu com Alicia e por fazê-la falar novamente. A partir daí, o leitor entra em uma atmosfera psicológica cheia de tensão, segredos e interpretações ambíguas, onde nem tudo é o que parece ser.
E preciso dizer: o Alex Michaelides escreveu Theo para ser insuportável. E conseguiu. Theo é o personagem que conduz a história, então, teoricamente, deveria ser alguém minimamente agradável ou, pelo menos, interessante o suficiente para sustentar a leitura com facilidade. Mas o efeito que ele teve em mim foi exatamente o oposto. Eu queria que tudo de ruim possível acontecesse com ele antes mesmo de chegar à metade do livro. Ainda assim, preciso reconhecer que isso não é exatamente um defeito de construção, pelo contrário, Theo é muito bem escrito justamente porque desperta aversão. O autor sabia o que estava fazendo ao moldar esse personagem, e por isso eu preciso dar o crédito que ele merece.
“Escolher um amante é muito parecido com escolher um terapeuta. Precisamos nos perguntar, é alguém que vai ser honesto comigo, ouvir críticas, admitir erros e não prometer o impossível?”
Já Alicia é outra história. Ela é, sem dúvida, muito mais interessante. Mesmo sem termos acesso total ao seu ponto de vista, ela consegue dominar a narrativa de um jeito muito forte. O leitor conhece Alicia aos poucos, principalmente por meio do que os outros personagens dizem sobre ela e, sobretudo, pela forma como Theo a observa e interpreta. Isso faz com que ela permaneça um enigma até o fim. E esse mistério é uma das coisas mais fortes do livro. Mesmo depois de tantas páginas, Alicia continua sendo alguém difícil de decifrar, e eu achei isso muito bem construído.
Na verdade, uma das poucas partes da história que realmente me conquistaram foi justamente ela. Alicia tem presença, silêncios e camadas que chamam atenção mesmo quando ela não está falando. Existe uma força inquietante na forma como o livro a trata, e isso me prendeu de verdade. Foi ela, mais do que qualquer outra coisa, que me fez seguir na leitura com curiosidade.
“Acredito que somos todos loucos, mas de maneiras diferentes.”
Ao mesmo tempo, eu achei o ritmo do livro um pouco lento demais. Durante boa parte da narrativa, a sensação foi de que a história estava acumulando tensão sem entregar muita coisa de fato. A maior parte da ação acontece apenas no último quarto do livro, talvez até menos do que isso, e, quando finalmente chega, tudo acontece muito rápido. É aquele tipo de virada de “zero a cem” que pode funcionar em alguns casos, mas que, aqui, para mim, soou um pouco brusca. O começo é bom, a construção até tem interesse, mas o final parece correr demais, quase como se quisesse compensar o tempo que passou segurando informações.
Ainda assim, preciso admitir que a reviravolta é realmente muito boa. Eu fiquei surpresa com ela. Não vou entrar em detalhes para não estragar a experiência de ninguém, mas é o tipo de revelação que faz o leitor parar por um instante e repensar tudo o que leu até ali. Nesse ponto, Alex Michaelides soube brincar muito bem com a percepção do leitor, com o que parece verdade e com aquilo que é convenientemente escondido. É a parte em que o livro realmente mostra por que chamou tanta atenção.
“Somos compostos de diferentes partes, algumas boas, outras ruins, e uma mente saudável pode tolerar essa ambivalência e fazer malabarismos entre o bem e o mal ao mesmo tempo. A doença mental é justamente a falta desse tipo de integração – acabamos perdendo o contato com as partes inaceitáveis de nós mesmos.”
E talvez seja exatamente isso que faz tanta gente gostar de A Paciente Silenciosa: ele é uma leitura que trabalha com a mente do leitor o tempo todo. Não é só sobre descobrir quem é o culpado pelo assassinato do marido de Alicia, mas também sobre como a gente constrói nossas certezas, sobre o quanto pode confiar na narrativa que está recebendo e sobre como o silêncio pode ser mais eloquente do que qualquer fala. O livro funciona como uma espécie de quebra-cabeça psicológico, e isso dá a ele uma força muito própria.
Apesar dos meus problemas com o ritmo e com Theo, eu entendo perfeitamente o motivo de A Paciente Silenciosa ter se tornado tão popular. Existe algo muito magnético na escrita, na atmosfera e na forma como a história é conduzida até a revelação final. Mesmo quando eu estava frustrada com certas escolhas da narrativa, eu ainda queria descobrir o que realmente tinha acontecido com Alicia. E isso, para mim, mostra que o livro conseguiu manter a curiosidade do leitor até o fim.
“O objetivo da terapia não é corrigir o passado, mas permitir que o paciente enfrente sua própria história e sofra por ela.
No entanto, a reviravolta, por melhor que seja, não foi suficiente para apagar completamente os problemas que senti durante a leitura. O ritmo lento demais em boa parte da história e a forma apressada como tudo se resolve no final fizeram com que a experiência não fosse tão impactante quanto poderia ter sido. Ainda assim, considero uma leitura que vale a pena conhecer pelo menos uma vez, principalmente para quem gosta de thrillers psicológicos, narradores pouco confiáveis e histórias que brincam com a percepção do leitor.
No fim, A Paciente Silenciosa foi uma leitura interessante, cheia de potencial e com uma revelação muito boa, mas que não funcionou perfeitamente para mim. Alicia foi, sem dúvida, a personagem que mais me prendeu, e a reviravolta conseguiu me surpreender de verdade. Porém, entre o desenvolvimento arrastado e o final acelerado, fiquei com a sensação de que o livro poderia ter sido ainda melhor.
Por isso, minha avaliação final é de 3 estrelas. Foi uma história que me deixou curiosa, me fez questionar o que era verdade e entregou um desfecho marcante, mas não conseguiu me conquistar por completo.

A PACIENTE SILENCIOSA - ALEX MICHAELIDES SINOPSE:
Alicia Berenson escreve um diário para colocar suas ideias em ordem. Ele é tanto uma válvula de escape quanto uma forma de provar ao seu adorado marido que está bem. Ela não consegue suportar conviver com a ideia de que está deixando Gabriel preocupado, de que está lhe causando algum mal.
Alicia Berenson tinha 33 anos quando matou seu marido com cinco tiros. E nunca mais disse uma palavra.
O psicoterapeuta forense Theo Faber está convencido de que é capaz de tratar Alicia, depois de tantos outros falharem. E, se ela falar, ele será capaz de ouvir a verdade?




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