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Resenha: Mentirosos | Um mistério cheio de potencial desperdiçado 🍒🍒

  • Foto do escritor: Laatena
    Laatena
  • 7 de mai.
  • 5 min de leitura

Mentirosos é um romance de suspense que acompanha a família Sinclair, uma família rica, bonita e aparentemente perfeita, vista de fora como o retrato ideal de sucesso e elegância. No centro da história está Cadence Sinclair Eastman, a neta mais velha dessa família, que narra os acontecimentos ao lado de seus primos e amigos mais próximos, formando o grupo conhecido como os Mentirosos. Junto de Mirren, Johnny e Gat, Cadence passa os verões em uma ilha particular da família, onde segredos antigos, relações familiares complicadas e um acidente misterioso começam a transformar a aparência de perfeição em algo muito mais sombrio.



A proposta do livro é justamente essa: nos conduzir por uma atmosfera de mistério, lembranças fragmentadas e revelações graduais, enquanto vamos entendendo que a família Sinclair está muito longe de ser impecável. Há um acidente, há segredos e há mentiras demais para que tudo permaneça intacto por muito tempo. A ideia tinha tudo para render uma história envolvente, cheia de tensão e impacto emocional. E, no papel, realmente parecia promissora. Foi exatamente por isso que comecei a leitura com tanta expectativa.


Infelizmente, a experiência não funcionou para mim como eu imaginava. Eu estava cheia de esperança no começo, ansiosa por um livro que entregasse suspense, intriga e reviravoltas marcantes. Mas, conforme a leitura avançava, essa empolgação foi diminuindo bastante. O que prometia ser um mistério instigante acabou se tornando uma história que, para mim, perdeu o rumo em vários aspectos. Faltou brilho, faltou força e faltou aquela sensação de que algo realmente grande estava sendo construído. No fim das contas, a reviravolta principal me pareceu medíocre e ainda mais frustrante por ter sido jogada de forma apressada nas últimas páginas, como se tudo precisasse ser resolvido às pressas depois de uma longa preparação que não entregou o que eu esperava.

"Somos Sinclair. Ninguém é carente. Ninguém erra. Vivemos, pelo menos durante o verão, em uma ilha particular. Talvez Isso seja tudo o que você precisa saber a nosso respeito."

Um dos meus maiores problemas com o livro foi justamente o grupo dos chamados Mentirosos. Eles deveriam ser personagens marcantes, perigosos, enigmáticos e cheios de personalidade, mas a impressão que tive foi totalmente diferente. Na teoria, eles são encrenqueiros; na prática, não fazem praticamente nada ao longo da história. Suas interações são muitas vezes estranhas, abstratas e pouco naturais, a ponto de parecer que nenhum adolescente de verdade falaria daquela maneira. Isso acabou me afastando ainda mais da narrativa, porque eu não consegui me conectar com esse grupo como a história parecia querer que eu me conectasse.


Entre todos, o único personagem que realmente se destacou para mim foi Gat. Ele foi, sem dúvida, a parte mais interessante do livro. Gat é autoconsciente, inteligente, atencioso e consegue despertar empatia de um jeito muito mais verdadeiro do que os outros personagens. Talvez isso aconteça porque ele é o único que não está completamente inserido no conforto e na aceitação da família Sinclair, o que faz com que seu olhar sobre aquele universo pareça mais crítico e mais humano. Ele sente o peso da exclusão, percebe as tensões ao redor e acaba sendo o personagem com quem eu mais consegui simpatizar ao longo da leitura.

"Não estou falando de destino. Não acredito em destino, almas gêmeas ou sobrenatural. Só sei que entendíamos um ao outro. Completamente."

Cadence me irritou bastante. Em muitos momentos, achei a protagonista pretensiosa, chorona e difícil de acompanhar. Em vez de me causar curiosidade ou compaixão, ela frequentemente me passou uma sensação de impaciência. Como narradora, ela não conseguiu sustentar o mistério de forma envolvente para mim. Mirren e Johnny, por outro lado, acabaram sendo personagens muito esquecíveis. Eles simplesmente não deixaram uma marca forte o suficiente, e isso foi um problema porque, como o livro depende tanto da dinâmica do grupo, eu precisava sentir mais força na presença deles. Em vez disso, eles acabaram se tornando figuras pouco definidas, quase indiferenciadas no meio da bagunça da história.


Outro ponto que me incomodou bastante foi o estilo de escrita. Sei que isso é sempre uma questão de gosto, e entendo que muita gente possa enxergar beleza na forma como a autora escreve. Mas, pessoalmente, achei a construção muito inconsistente. Em alguns momentos, a narrativa tenta ser direta e impactante; em outros, se perde em metáforas exageradas e descrições que soam artificiais. Houve partes em que a protagonista começava com algo simples e, de repente, tudo se transformava em longos parágrafos de imagens simbólicas, principalmente quando ela tentava descrever dores de cabeça ou sensações físicas. Para mim, isso acabou quebrando o ritmo da leitura em vez de enriquecê-lo. A sensação foi de que eu estava constantemente sendo puxada para fora da história por causa de um estilo que parecia mais preocupado em soar diferente do que em realmente funcionar de forma fluida.


E é uma pena, porque Mentirosos tinha ambição. Isso eu não posso negar. O livro claramente queria ser algo marcante, carregado de mistério, simbolismo e impacto emocional. Havia ali todos os elementos necessários para construir uma história realmente memorável. A ideia da família perfeita que esconde rachaduras profundas é muito boa, e o clima de segredo e tragédia também tinha potencial. Mas, para mim, esse potencial não foi bem aproveitado. O livro acabou se tornando uma experiência frustrante, porque parecia estar sempre prometendo algo maior do que de fato entregava.

"Olhamos para o céu. Tantas estrelas. Parecia uma celebração, uma festa grandiosa e proibida que a galáxia fazia depois de colocar os humanos para dormir."

Talvez o que mais me incomode seja justamente isso: a sensação de potencial desperdiçado. Eu queria ter amado essa leitura. Queria ter saído dela chocada, envolvida, impactada pela revelação final e pela construção do suspense. Mas, em vez disso, terminei o livro decepcionada, com a impressão de que a narrativa não conseguiu sustentar a própria proposta. A história tinha boas bases, mas falhou na execução. E isso pesa muito, principalmente em um livro que depende tanto da atmosfera e da condução do mistério.


No fim, Mentirosos foi uma leitura que não funcionou para mim. A ideia era promissora, o cenário tinha força e o conceito da família Sinclair era interessante, mas a execução me pareceu fraca, confusa e pouco memorável. Entre personagens pouco cativantes, uma escrita que me afastou em vez de me prender e uma reviravolta que não teve o impacto que eu esperava, a experiência acabou ficando bem abaixo do que eu imaginava no início.


Por isso, a minha avaliação final é de 2 estrelas. Não foi uma leitura terrível, mas também passou longe de corresponder às expectativas que eu tinha. Eu consegui reconhecer a ambição da obra, mas isso, sozinho, não foi suficiente para salvar a experiência. Para mim, Mentirosos foi um livro que prometeu muito e entregou pouco.



MENTIROSOS - E. LOCKHART

SINOPSE:


Na família Sinclair, ninguém é carente, criminoso, viciado ou fracassado. Mas talvez isso seja mentira.


Os Sinclair são uma família rica e renomada, que se recusa a admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todo ano o patriarca, suas três filhas e seus respectivos filhos passam as férias de verão em sua ilha particular. Cadence - neta primogênita e principal herdeira -, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo chamado Mentirosos. Durante o verão de seus quinze anos, as férias idílicas de Cadence são interrompidas quando a garota sofre um estranho acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, depressão, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos. Toda a família a trata com extremo cuidado e se recusa a dar mais detalhes sobre o ocorrido... até que Cadence finalmente volta à ilha para juntar as lembranças do que realmente aconteceu.

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