top of page

Resenha: Broken Bonds | Nem todo hype consegue salvar uma leitura🍒

  • Foto do escritor: Laatena
    Laatena
  • 6 de mai.
  • 7 min de leitura

Existem livros que ficam tanto tempo na estante que acabam criando uma expectativa enorme antes mesmo de serem abertos. Foi exatamente o que aconteceu comigo com Broken Bonds, de J. Bree. Comprei o livro na Bienal de 2023, deixei guardado por bastante tempo e, depois de ouvir algumas recomendações sobre a série, finalmente decidi começar essa leitura. Infelizmente, terminei com a sensação de que deveria ter deixado o livro onde estava.



Broken Bonds é o primeiro volume da série The Bonds That Tie, composta por seis livros, e apresenta um universo de fantasia com elementos de romance sombrio, magia, guerra e vínculos predestinados. A história acompanha Oleander “Oli” Fallows, uma jovem que carrega um passado extremamente traumático. Aos quatorze anos, ela perde toda a família em um acidente de carro e, pouco depois, descobre que possui cinco Vínculos destinados a ela.

Nesse universo, os Vínculos funcionam como almas gêmeas ligadas por uma conexão mágica. São pessoas destinadas a estarem juntas e que, teoricamente, deveriam representar segurança, parceria e pertencimento. Por isso, abandonar um grupo de Vínculos é visto como uma espécie de traição imperdoável. E é exatamente isso que Oli faz: ela desaparece por cinco anos, deixando para trás North, Nox, Gryphon, Gabe e Atlas.

Quando finalmente é encontrada, Oli é levada de volta para perto deles, mas o reencontro está longe de ser acolhedor. North, Nox e Gryphon não conseguem esconder o ressentimento por terem sido abandonados. Gabe parece não saber exatamente o que pensar. Atlas, por outro lado, é o único que demonstra querer entender o lado dela e dar uma chance para que aquela conexão exista de verdade.

O que eles não sabem é que Oli não fugiu porque não se importava. Ela fugiu porque acreditava estar protegendo todos eles.


Antes de desaparecer, Oli foi sequestrada, torturada e usada como arma pelo inimigo. Ela passou anos escondida, tentando sobreviver, evitando criar laços e fazendo de tudo para não ser encontrada. A ideia por trás da personagem é interessante: uma protagonista marcada por violência, medo e uma entidade dentro de si que parece ter sede de sangue. Além disso, existe um mistério constante sobre seus poderes, sobre o que aconteceu durante os anos em que esteve desaparecida e sobre o verdadeiro motivo de ela acreditar que era perigosa demais para permanecer perto dos Vínculos.


Uma premissa cheia de potencial


Em teoria, todos esses elementos tinham muito potencial. A premissa de uma protagonista traumatizada, com poderes perigosos, cinco almas gêmeas e um passado cheio de segredos parecia perfeita para uma fantasia intensa e viciante. Mas, na prática, a leitura não funcionou para mim.

O primeiro grande problema foi o ritmo. Eu entendo que este seja o início de uma série longa e que a autora precise apresentar o mundo, explicar os Vínculos, introduzir os personagens e plantar conflitos para os próximos livros. Mesmo assim, senti que a história demorou demais para realmente começar. Muitas cenas pareciam girar em torno dos mesmos conflitos: os Vínculos chateados porque Oli fugiu, Oli escondendo o passado, garotas malvadas criando dramas infantis e personagens discutindo sem que nada realmente avançasse.🙄🙄

“Deixar você foi a coisa mais difícil que já tive que fazer. Essa dor não é nada comparada àquela.”

Em vários momentos, tive a sensação de que a narrativa estava parada. O livro até traz algumas informações importantes, mas elas são entregues de forma tão lenta que eu não conseguia me sentir envolvida. Conforme a história avançava, em vez de ficar mais curiosa, eu só sentia mais vontade de abandonar a leitura. É frustrante quando um livro apresenta tantos elementos interessantes, mas não consegue transformar isso em uma trama realmente instigante.


Os Vínculos e a falta de empatia


Também me incomodou muito a forma como os Vínculos tratam a Oli. Eu entendo que eles tenham se sentido abandonados e que exista rancor, ego ferido e dor envolvida. Mas é difícil acompanhar personagens adultos agindo como se uma adolescente tivesse simplesmente desaparecido sem motivo algum. Oli fugiu de um hospital, se escondeu de pessoas próximas e viveu sem rumo por anos. Não parecia tão difícil imaginar que alguma coisa muito grave pudesse ter acontecido com ela.

"Ou, talvez, ela simplesmente expõe seus traumas para que todos possam vê-los. Eu os enterro o mais fundo que consigo, o mais abaixo possível da minha pele, para poder fingir que não estão me matando lenta, dolorosa e constantemente."

Em vez disso, muitos deles escolhem julgá-la, tratá-la mal e agir como se ela devesse explicações antes mesmo de receber qualquer tipo de acolhimento. Isso fez com que eu tivesse dificuldade de me conectar com o grupo. Em vez de torcer pela relação entre eles, eu passava boa parte do tempo irritada com a falta de empatia e maturidade daqueles homens. Entre rancores, egos feridos e atitudes questionáveis, esse grupo de Vínculos falhou bastante em me conquistar.


Um romance que prometeu mais do que entregou


O romance também foi uma grande decepção. Como essa é uma série conhecida por ser uma queima lenta, eu não esperava que tudo acontecesse de imediato. Mas confesso que entrei na leitura acreditando que teria pelo menos algum desenvolvimento mais concreto no primeiro livro. No fim, senti que quase nada acontece. A tensão romântica é muito fraca, as conexões não foram aprofundadas o suficiente e os personagens pareciam mais preocupados em alimentar os próprios egos do que em construir qualquer vínculo verdadeiro com a protagonista.


Talvez a autora desenvolva melhor essa parte nos próximos volumes, e sei que muitas pessoas defendem a série justamente por causa da evolução lenta ao longo dos seis livros. Mas, para mim, o primeiro livro precisa oferecer algo que faça o leitor querer continuar. Precisa deixar uma promessa forte, uma relação interessante, um conflito irresistível ou uma curiosidade tão grande que seja impossível não seguir para o próximo. E, infelizmente, Broken Bonds não conseguiu fazer isso comigo.


Oli: uma protagonista difícil de acompanhar


A Oli também foi uma personagem com quem tive uma relação complicada. Eu entendia que ela carregava traumas profundos e que grande parte de suas atitudes vinha da necessidade de sobreviver. Mas, em muitos momentos, senti vergonha alheia das decisões dela e da forma como ela se enxergava. Oli tem certeza de que é o monstro mais perigoso do mundo, que seus poderes são terríveis e que criar laços vai colocar todos em risco. Porém, o livro demora demais para explicar o que isso significa.

Sabemos que ela fugiu para “salvar” os outros. Sabemos que seus poderes são perigosos. Sabemos que, se ela criar laços, ficará mais forte. Mas não sabemos exatamente quais são esses poderes, por que ela é tão perigosa ou o que realmente aconteceu com ela durante os anos em que esteve escondida. Essas respostas só começam a aparecer muito tarde, praticamente no último capítulo, e até lá eu já estava cansada de acompanhar tantos mistérios sem nenhuma recompensa concreta.


O mistério sobre o passado da Oli foi, inclusive, uma das poucas coisas que realmente me manteve lendo. Eu queria saber onde ela estava, com quem viveu, o que fizeram com ela, por que ela fugiu e por que tinha tanto medo de ser encontrada. A autora conseguiu criar curiosidade em torno dessas perguntas, e esse foi o único elemento que, de fato, impulsionou a narrativa para mim. Ainda assim, não foi suficiente para compensar a lentidão e os problemas que encontrei ao longo do caminho.

A escrita da J. Bree é fácil e direta, então a leitura não é difícil de acompanhar. O problema não está na linguagem, mas na forma como a trama é conduzida. Para uma fantasia, também senti falta de uma construção de mundo mais clara e aprofundada. Há guerra, poderes, organizações, inimigos e diferentes ameaças, mas muitas vezes parecia que eu estava recebendo informações soltas sem entender completamente como tudo funcionava. A trama não é tão clara quanto poderia ser, e isso tornou a experiência ainda mais confusa.

“O que eu fiz… fugir dos meus Laços, das pessoas destinadas a estarem comigo, isso não é algo que acontece com frequência. Ou nunca, na verdade. Fugir das pessoas que completam sua alma, só um louco faria isso. Eu sou esse louco.”

Outro ponto que me incomodou foi a falta de diversidade perceptível entre os personagens. Há cinco homens no grupo de Vínculos e todos parecem ser brancos. Também não senti que existia uma preocupação real em apresentar personagens diversos dentro daquele universo, o que foi uma ausência bastante perceptível para mim.


Dark romance ou apenas uma promessa?


O livro traz temas pesados, incluindo sequestro, tortura, violência dentro de um cenário de guerra, humilhação, abuso psicológico e uma entidade violenta ligada à protagonista. Então, apesar de ser classificado por algumas pessoas como dark romance, eu não diria que ele entrega algo tão intenso no núcleo romântico. Existem cenas desconfortáveis e situações difíceis, principalmente relacionadas ao passado da Oli, mas o romance em si me pareceu bastante fraco e pouco desenvolvido. Para mim, foi um dark romance bem mais ou menos, que não conseguiu equilibrar bem a fantasia, o trauma e a construção das relações.


Vale a pena continuar ou não?


No fim, Broken Bonds foi uma leitura de 1 estrela para mim. Não gostei da trama, não consegui me apegar aos personagens e senti que o livro demorou demais para entregar informações básicas sobre a protagonista e o universo. A premissa tinha muito potencial, mas a execução não funcionou para mim. Talvez os próximos livros realmente sejam melhores, como tantas pessoas dizem, mas depois de terminar esse primeiro volume, vai ser muito difícil encontrar disposição para continuar.

Não gosto de julgar uma série inteira pelo primeiro livro, especialmente quando sei que ela foi pensada como uma grande queima lenta. Mas também acredito que uma história precisa dar motivos para o leitor querer permanecer nela. E, por mais que eu tenha tentado seguir o fluxo e confiar que as coisas melhorariam, terminei a leitura sem curiosidade suficiente para seguir com os próximos volumes.

Talvez, em algum momento, eu dê outra chance para a série. Por enquanto, porém, fiquei apenas com a sensação de frustração — e com a certeza de que, às vezes, uma premissa ótima não é suficiente para salvar uma história que não consegue nos prender.



BROKEN BONDS - J. BREE

SINOPSE:


Depois da morte de minha mãe e de seus Vínculos, fiquei aliviada ao encontrar os meus. Eu tinha certeza de que com eles tudo ficaria bem. Não ficou. O destino do nosso povo está em minhas mãos, e sei que vai ser melhor se eu ficasse sozinha. Depois de cinco anos fugindo, sou pega e arrastada de volta para encarar os homens de quem fugi. Achei que estava fazendo a coisa certa. Agora, nem tanto. North, Nox, Gryphon, Atlas e Gabe talvez nunca me perdoem, mas de uma coisa eu sei, nunca vou me perdoar.

Comentários


bottom of page