Resenha | Nocticadia: um dark academia viciante do começo ao fim 🍒🍒🍒🍒,5
- Laatena

- há 6 dias
- 14 min de leitura
Depois de algumas experiências medianas com dark romances, confesso que comecei Nocticadia sem criar grandes expectativas. Eu esperava encontrar um romance sombrio, com alguns mistérios interessantes e aquela atmosfera típica de dark academia que tanto me chama atenção. Mas a verdade é que encontrei muito mais do que isso.
Nocticadia foi uma daquelas leituras que me prenderam de um jeito quase inexplicável. Sabe quando você fecha o livro por alguns minutos apenas porque precisa fazer outras coisas, mas continua pensando na história o tempo inteiro? Foi exatamente isso que aconteceu comigo. São mais de 600 páginas e, sinceramente, eu não senti o tamanho desse livro em momento algum. Pelo contrário. Quando terminei, tive aquela rara sensação de que poderia facilmente ler mais algumas centenas de páginas se a autora quisesse continuar desenvolvendo aquele universo.

A história acompanha Lilia Vespertine, uma jovem que carrega um trauma profundo desde a adolescência. Depois de testemunhar a morte da própria mãe por uma doença extremamente misteriosa, e não ser levada a sério quando tentou explicar o que realmente havia visto, sua vida muda completamente. O sonho de cursar Direito fica para trás e ela decide estudar Medicina, movida pela necessidade quase obsessiva de entender a doença que destruiu sua família e, quem sabe, encontrar uma cura para ela.
Essa busca a leva até a Universidade de Dracadia, uma instituição extremamente prestigiada, cercada por construções antigas, laboratórios de pesquisa e inúmeros segredos. É ali que Lilia conhece o enigmático professor Devryck Bramwell, especialista justamente no mesmo parasita que acredita ter causado a morte de sua mãe. A partir desse momento, o livro apresenta aquilo que, à primeira vista, parece ser apenas mais um romance entre professor e aluna.
"A minha turma. Os meus requisitos. A minha aluna. Sem dúvida, Lilia Vespertine seria uma dor de cabeça gigantesca. Mas ela era minha dor de cabeça."
Mas reduzir Nocticadia apenas a essa trope seria extremamente injusto. Existe romance, existe química e existe uma tensão absurda entre os protagonistas. Porém, antes de tudo isso, existe um grande mistério envolvendo pesquisas científicas, experimentos, sociedades secretas e uma universidade que parece esconder muito mais do que aparenta. Foi justamente isso que mais me conquistou.
Dracadia é, sem dúvida, a verdadeira protagonista
Se eu tivesse que escolher apenas um aspecto responsável por me deixar completamente obcecada por esse livro, seria a ambientação.
Keri Lake constrói Dracadia de uma maneira simplesmente fascinante. A universidade possui exatamente aquela estética gótica que promete desde a sinopse: corredores antigos, arquitetura imponente, laboratórios escondidos, prédios carregados de história e uma atmosfera que parece manter o leitor constantemente desconfiado de que alguma coisa está errada. É aquele tipo de cenário que praticamente se transforma em um personagem da história.
Durante toda a leitura eu sentia que a universidade escondia mais segredos do que qualquer pessoa estava disposta a revelar. Cada corredor, cada laboratório, cada descoberta parecia acrescentar mais uma camada de mistério à narrativa.
E foi impossível não mergulhar completamente nesse universo.
"Que palavra?-Impérvio.-Impérvio?-É. Significa que nada de ruim pode te machucar. Nunca. Quando você sentir que a Morte está vindo, diz essa palavra. Aí a Morte não vai poder tocar em você."
A ambientação mistura elementos clássicos da estética dark academia com tecnologia, pesquisa científica e um clima quase gótico, criando um cenário extremamente original. Em nenhum momento senti que estava lendo apenas um romance universitário. Pelo contrário. A impressão era de estar acompanhando uma investigação cercada por experimentos científicos, conspirações e descobertas que se tornavam cada vez mais perturbadoras.
Uma ficção científica que me surpreendeu
Outra coisa que me conquistou completamente foi a forma como a autora desenvolveu toda a parte científica da história.
Confesso que não esperava encontrar um trabalho tão bem construído envolvendo biologia, parasitologia e pesquisas laboratoriais. Achei que esses elementos estariam ali apenas para justificar a aproximação entre Lilia e Devryck, mas eles acabam se tornando uma das partes mais interessantes de toda a narrativa.
Toda a pesquisa envolvendo o Noctisoma me deixou completamente fascinada.
As explicações sobre os parasitas, os experimentos realizados nos laboratórios, as larvas, as borboletas, os estudos conduzidos por Devryck... absolutamente tudo parecia extremamente bem pensado. Eu ficava genuinamente ansiosa sempre que os personagens voltavam para o laboratório porque queria descobrir qual seria a próxima revelação. Inclusive, esse foi um dos poucos livros em que percebi que estava tão interessada na investigação quanto no próprio romance.
Para quem gosta de biologia, medicina ou simplesmente aprecia livros que conseguem incorporar ciência de forma convincente dentro da ficção, acredito que Nocticadia entrega uma experiência muito acima da média. E talvez tenha sido justamente essa mistura entre romance, suspense, ciência e atmosfera gótica que fez esse livro funcionar tão bem para mim.
Uma escrita que faz 600 páginas parecerem 200
Grande parte desse envolvimento também acontece por causa da escrita da Keri Lake.
A autora consegue equilibrar muito bem descrições, diálogos e momentos de tensão sem tornar a leitura cansativa. Desde o prólogo eu já estava completamente intrigada para descobrir como aquela história iria se desenvolver. O início chega até a passar uma impressão de fantasia sombria, mas, aos poucos, a narrativa assume exatamente a identidade apresentada na sinopse, misturando romance, suspense e investigação científica de uma forma extremamente natural. O resultado é uma leitura que simplesmente flui.
"-Acho, claro, mas é isso que torna tudo fascinante. Eu quero aprender com base nessa curiosidade.- Você é uma curiosidade."
São mais de seiscentas páginas que passam quase sem que o leitor perceba. Nunca tive a sensação de estar lendo um livro longo. Pelo contrário. Cada capítulo terminava deixando uma nova pergunta no ar, uma nova descoberta para investigar ou alguma revelação que me fazia querer continuar imediatamente. Foi uma daquelas leituras que me deixaram completamente imersa do começo ao fim — e isso, para mim, já diz muito sobre a qualidade da narrativa.
Lilia e Devryck: personagens que sustentam toda a narrativa
Além da ambientação impecável, outro grande acerto de Nocticadia está nos protagonistas. É muito fácil se envolver com a história porque tanto Lilia quanto Devryck são personagens que possuem objetivos muito claros desde o início da narrativa.
Nenhum dos dois existe apenas para viver um romance. Antes mesmo de se conhecerem, cada um já carregava seus próprios conflitos, traumas e motivações, e acredito que isso faz toda a diferença para que a relação entre eles pareça tão natural.
"Eu não sou um dos seus malditos colegas, Lilia. Sou seu professor. Essa relação acabaria com o seu futuro. Você seria expulsa e enviada pra casa, pra sua vida de antes, e eu ficaria aqui, odiando o fato de ter feito merda. De ter tirado tudo de você.- Isso só acontece se nos descobrirem-sussurrei."
Lilia me conquistou logo nas primeiras páginas. Depois de presenciar a morte da mãe por uma doença que ninguém conseguiu explicar, e ainda ser desacreditada quando tentou contar o que havia visto, seria muito fácil transformar esse trauma em uma característica que definisse completamente sua personalidade. Felizmente, a autora escolhe um caminho diferente. O sofrimento continua presente, mas, em vez de paralisá-la, se transforma no combustível que a faz seguir em frente.
É justamente por isso que gosto tanto da protagonista. Ela é determinada, inteligente e trabalha duro para conquistar aquilo que deseja. Mesmo chegando à Universidade de Dracadia cercada por alunos ricos e extremamente privilegiados, nunca deixa que isso a faça desistir. É claro que existem momentos em que ela se compara às outras pessoas e sente o peso dessa diferença social, afinal, passou a vida inteira precisando lutar muito para conseguir oportunidades que muitos ali sempre tiveram. Mas esses pensamentos nunca a impedem de continuar tentando.
Ela é o tipo de protagonista que prefere encontrar respostas por conta própria. Nunca espera que alguém resolva seus problemas e, desde o início, deixa claro que seu verdadeiro objetivo é descobrir o que matou sua mãe. O romance simplesmente não faz parte dos seus planos. Gostei muito disso.
"A garota linda, com o cabelo de outono, que me lembrava o mar e o céu ao mesmo tempo. E ela era tudo. Terra, Sol, Lua. O ar que eu respirava e a batida tenaz que mantinha meu coração maltratado bombeando."
Em muitos livros da trope professor e aluna, a protagonista parece esquecer completamente seus objetivos assim que o interesse amoroso aparece. Aqui acontece exatamente o contrário. Durante boa parte da narrativa, a prioridade da Lilia continua sendo a pesquisa sobre o Noctisoma e tudo o que envolve aquela doença misteriosa. Devryck surge quase como um obstáculo — ou talvez um caminho inesperado — dentro dessa busca.
Claro que ela me irritou em alguns momentos. Achei que, ocasionalmente, sua personalidade ficava um pouco apagada e ela tinha algumas atitudes que me fizeram pensar "vamos, mulher". Mas, sinceramente, foram detalhes muito pequenos diante de tudo o que a personagem entrega ao longo da história. No geral, gostei bastante dela e torci por suas conquistas do início ao fim.
O Doutor Morte
Já Devryck...
Bom, acho que esse homem merece um tópico só para ele. Primeiro preciso dizer que até decorar o nome dele foi um desafio. Meu cérebro simplesmente se recusava a aceitar "Devryck" nas primeiras páginas. Mas, depois de um tempo, passei a achar que esse nome combinava perfeitamente com a aura misteriosa que o personagem transmite.
Conhecido pelos alunos como Doutor Morte, Devryck é o professor responsável pelas pesquisas sobre o mesmo parasita que matou a mãe de Lilia. Frio, reservado e praticamente inacessível, ele construiu ao redor de si uma reputação intimidadora que faz sentido desde a primeira aparição. E uma das coisas que mais gostei foi justamente a consistência da personalidade dele.
Ele não é aquele protagonista masculino que trata todas as pessoas mal, mas inexplicavelmente se mostra gentil apenas com a protagonista logo de cara. Muito pelo contrário. Devryck é distante com absolutamente todo mundo. Ele não faz questão de ser simpático, não tenta agradar ninguém e mantém uma postura extremamente profissional dentro da universidade. É justamente por isso que a mudança na relação com Lilia funciona tão bem.
"-Que eu mataria por você sem a menor hesitação ou remorso. E, ao mesmo tempo, me transformaria em uma pilha de cinzas sem você. Você é minha fraqueza, Lilia."
No começo, ela representa apenas uma aluna curiosa. Depois, uma mente brilhante. Mais tarde, uma exceção. E, antes mesmo que ele perceba, uma verdadeira obsessão.
A autora constrói essa transformação de maneira tão gradual que, quando me dei conta, o próprio Devryck já estava completamente diferente da versão apresentada no início da história. E o melhor de tudo é que essa mudança nunca parece forçada. Ela acontece naturalmente, quase de forma imperceptível, conforme ele passa a enxergar Lilia muito além da estudante talentosa que entrou em seu laboratório.
Além disso, gostei bastante da forma como seu passado vai sendo revelado aos poucos. Cada nova informação ajudava a compreender melhor por que ele era daquele jeito e acrescentava ainda mais camadas ao personagem. Confesso que sempre ficava ansiosa quando surgia alguma pista sobre sua história, porque era justamente isso que tornava aquele homem ainda mais interessante.
O slow burn que simplesmente me conquistou
Mas o grande destaque de Nocticadia, para mim, continua sendo o romance.
Se você procura um livro em que o casal se apaixona logo nos primeiros capítulos, talvez essa não seja a melhor escolha. Agora, se você gosta de um slow burn extremamente bem construído, daqueles em que a tensão cresce pouco a pouco até ficar praticamente insuportável, acho muito difícil não se apaixonar por essa história.
Confesso que, em vários momentos, eu simplesmente esquecia que estava lendo um romance. A investigação envolvendo o Noctisoma, os experimentos científicos e todos os mistérios de Dracadia eram tão interessantes que minha atenção permanecia completamente voltada para a trama principal. Quando percebi, já estava com mais da metade do livro lida e o romance ainda mal tinha começado. E isso nunca me incomodou.
"Eu não consigo controlar-disse ele, cerrando os punhos.-Não consigo me controlar porque eu ainda sinto você. Ainda sinto aquele cheiro doce asfixiante da sua pele, que me deixa enlouquecido. Aquele tom maldito de batom que me leva de volta àquela noite. Eu estou ficando louco!"
Pelo contrário. Acho que justamente por demorar tanto para acontecer é que cada pequena interação entre Lilia e Devryck ganha muito mais significado. Um olhar, uma conversa, um gesto de proteção... tudo parece importante porque a autora constrói essa aproximação com muita paciência. Nunca senti que ela estava apressando o relacionamento apenas para entregar logo aquilo que o leitor esperava.
Na verdade, a impressão era exatamente a oposta. Os dois se aproximam porque a história precisava que isso acontecesse, e não porque o romance exigia. Lilia continua investigando a doença da mãe. Devryck continua obcecado por suas pesquisas. O relacionamento cresce naturalmente entre essas duas trajetórias, como consequência da convivência e da admiração que nasce aos poucos.
A química entre os dois é absurda. Existe uma tensão constante que faz qualquer interação parecer carregada de significado. As cenas íntimas são excelentes, muito bem escritas, mas o que realmente me conquistou foram os momentos em que eles simplesmente conversavam, estudavam juntos ou quando Devryck demonstrava acreditar no potencial da Lilia antes mesmo que ela conseguisse acreditar em si mesma.
A forma como ele a protege sem diminuir sua capacidade, incentivando-a a crescer e reconhecendo sua inteligência, foi uma das coisas que mais gostei no relacionamento dos dois.
Os mistérios conseguem prender tanto quanto o romance
Por mais que o romance entre Lilia e Devryck seja maravilhoso, preciso dizer que ele não foi o único responsável por me prender durante mais de seiscentas páginas. Na verdade, houve momentos em que eu estava tão envolvida com os mistérios de Dracadia que simplesmente esquecia que ainda existia um casal para acontecer. A investigação sobre o Noctisoma, os experimentos conduzidos dentro dos laboratórios, as pesquisas envolvendo os parasitas e todas as descobertas científicas conseguiram despertar minha curiosidade o tempo inteiro. Fazia muito tempo que eu não lia um livro que misturasse romance com ciência de uma forma tão convincente. Em momento algum senti que esses elementos estavam ali apenas para servir de pano de fundo para o relacionamento dos protagonistas. Pelo contrário, eles possuem um papel essencial na narrativa e fazem com que todo o enredo tenha um peso muito maior.
Outra coisa que gostei bastante foi a forma como a autora distribui as respostas ao longo da história. Cada revelação parece abrir espaço para um novo questionamento, o que faz o leitor permanecer constantemente tentando montar o quebra-cabeça antes dos personagens. Desde o prólogo, eu queria entender exatamente o que havia acontecido com a mãe da Lilia, como aquela doença funcionava e qual era a verdadeira ligação entre Devryck, a Universidade de Dracadia e tudo aquilo que estava acontecendo nos bastidores. Conforme novas informações surgiam, minha curiosidade só aumentava, e acho que esse foi um dos maiores méritos da Keri Lake: ela conseguiu equilibrar muito bem o suspense e o romance, sem permitir que um anulasse o outro. Enquanto eu torcia pelo casal, também estava completamente envolvida tentando descobrir quais segredos ainda estavam escondidos naquela universidade.
"-Você está com ciúme? O sorriso sombrio em seu rosto sumiu e ele prendeu uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.-Ciúme é a emoção de um adolescente imaturo, que termina em ressentimento e briguinhas. O que eu sinto por você destruiria vidas."
Também gostei bastante dos plots. Vi algumas pessoas comentando que algumas revelações eram previsíveis, mas comigo aconteceu exatamente o contrário. Fui pega de surpresa diversas vezes e, sinceramente, adorei isso. É muito satisfatório quando um livro consegue esconder bem suas cartas e entregar respostas sem que elas pareçam surgir do nada. Ao mesmo tempo em que as revelações fazem sentido, elas conseguem surpreender, e isso tornou a leitura ainda mais divertida.
Algumas ideias mereciam mais desenvolvimento
Apesar de toda essa experiência extremamente positiva, existem alguns pontos que me deixaram com a sensação de que a história poderia ter ido ainda mais longe. Curiosamente, minhas críticas não estão relacionadas ao casal principal, mas sim a alguns elementos do universo criado pela autora. Em vários momentos tive a impressão de que certas ideias eram interessantes demais para receberem tão pouco espaço dentro da narrativa.
O principal exemplo disso, para mim, são os personagens secundários. Enquanto Lilia e Devryck recebem um desenvolvimento excelente, boa parte do restante do elenco acaba ficando superficial. Spencer talvez seja o caso que mais me incomodou. Durante boa parte da história, ele parece ocupar um papel importante dentro dos mistérios, fazendo o leitor desconfiar constantemente de suas intenções. Eu mesma passei vários capítulos tentando entender qual era sua verdadeira função na narrativa e, em alguns momentos, torci para que ele estivesse falando a verdade justamente porque queria que o personagem fosse mais complexo do que aparentava. No entanto, quando a história finalmente caminha para suas grandes revelações, senti que ele simplesmente perde importância. Faltou aprofundamento, faltaram respostas e, principalmente, faltou um encerramento que justificasse toda a desconfiança construída ao longo da leitura.
A Mel também acabou me causando essa mesma sensação. Algumas situações envolvendo a personagem parecem prometer consequências maiores, mas acabam desaparecendo conforme a história avança. No final, percebi que várias questões apresentadas no início recebem uma explicação, mas algumas delas acontecem de forma muito rápida ou simplesmente deixam pontas soltas que poderiam ter sido exploradas com mais calma. Não chega a prejudicar a experiência como um todo, mas fiquei com aquela sensação de que ainda havia muito material interessante que acabou ficando pelo caminho.
Outro aspecto que gostaria de ter visto mais desenvolvido foi a própria sociedade secreta das Gralhas. A ideia é extremamente interessante e combina perfeitamente com toda a atmosfera de Nocticadia. Desde que ela é apresentada, cria-se uma expectativa enorme em torno de sua importância dentro da universidade, mas, conforme a narrativa avança, senti que esse elemento acaba recebendo menos destaque do que eu imaginava. Eu queria conhecer melhor sua história, entender seu funcionamento e acompanhar uma participação mais ativa dentro da trama. Da mesma forma, alguns dos plots finais também poderiam ter respirado um pouco mais antes de serem resolvidos. A autora entrega boas revelações, mas acredito que algumas delas teriam um impacto ainda maior se fossem exploradas com mais profundidade.
Ainda assim, essas críticas surgem muito mais porque gostei tanto daquele universo que queria permanecer nele por mais tempo do que por realmente considerar esses pontos um grande problema. Inclusive, a própria Keri Lake já comentou que Nocticadia é um livro único, mas confesso que terminei a leitura torcendo para que isso mudasse. Se um dia ela decidir escrever uma continuação acompanhando o Caed — principalmente depois das pistas deixadas nas páginas finais sobre uma possível aproximação entre ele e a irmã da Lilia — estarei na fila para ler no mesmo instante. Além de matar a saudade desse universo, seria uma ótima oportunidade para desenvolver melhor algumas dessas ideias que ficaram apenas sugeridas ao longo da história.
Considerações finais
No fim das contas, Nocticadia foi muito mais do que um dark romance para mim. Foi uma leitura que conseguiu unir uma ambientação impecável, personagens extremamente carismáticos, um romance construído com muita paciência e uma trama de mistério que me manteve completamente envolvida até a última página. Fazia tempo que um livro não me deixava tão obcecada a ponto de eu pensar nele mesmo quando não estava lendo, e acredito que isso diz muito sobre a experiência que tive.
É claro que existem aspectos que poderiam ter recebido um desenvolvimento maior, principalmente alguns personagens secundários e determinadas linhas narrativas que acabam ficando em aberto. Ainda assim, nenhum desses pontos foi suficiente para diminuir o quanto aproveitei essa leitura. Pelo contrário, talvez eles apenas reforcem o quanto eu queria continuar explorando esse universo por mais tempo.
Se você procura um romance em que o casal demora para acontecer, mas faz cada momento valer a espera, gosta de universidades antigas, laboratórios, pesquisas científicas, sociedades secretas, uma estética dark academia muito bem construída e uma atmosfera gótica capaz de prender o leitor do início ao fim, acredito que Nocticadia merece um lugar na sua lista de leituras. Para mim, foi uma das maiores surpresas do ano e, sem dúvida, um dos melhores dark romances que já li. Depois de terminar esse livro, ficou difícil imaginar outra história da trope professor e aluna conseguindo superar tudo o que Keri Lake construiu aqui.

NOCTICADIA - KERI LAKE SINOPSE:
Ao ver minha mãe sucumbir a uma doença misteriosa, eu me faço duas promessas: encontrar a cura para a enfermidade que a consumiu e sair da cidade horrorosa onde ela me deixou.
Quatro anos depois, sou aceita na Universidade de Dracadia, uma das instituições mais prestigiosas do país, que fica em uma ilha afastada. Há rumores de que o lugar é assombrado pelos fantasmas dos pacientes com transtornos mentais que foram exilados lá séculos atrás. Mas fantasmas inquietos nem são a coisa mais perturbadora do local.
Devryck Bramwell, conhecido no campus como Doutor Morte, é um patologista brilhante encarregado do laboratório noturno. É um professor terrivelmente atraente, que parece odiar calouros empenhados... como eu. Só que seu olhar sombrio e enigmático deixa bem evidente que ele me devoraria de muitas maneiras, se pudesse.
Eu anseio pela autoridade dele. Ele anseia por redenção.
Juntos, somos tóxicos. Assunto perfeito para fofoqueiros dispostos a exumar todos os esqueletos do nosso passado.
Pois os mortos têm muito a ensinar, e é apenas questão de tempo até que o segredo mais perverso de Dracadia seja ressuscitado.




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