Resenha: Insaciável | Uma premissa promissora, mas uma execução frustrante 🍒🍒,5
- Laatena

- 12 de jul.
- 8 min de leitura
Quando comecei Insaciável, da Leigh Rivers, eu realmente achei que encontraria um novo dark romance favorito. A premissa era interessante, o mistério envolvendo o passado dos protagonistas despertava curiosidade e os primeiros capítulos conseguiam equilibrar bem suspense, tensão e o desejo de descobrir o que havia acontecido entre Kade Mitchell e Stacey Rhodes para que dois personagens tão profundamente conectados acabassem separados por tantos anos.

O livro acompanha justamente esse reencontro. Kade passou 2 anos longe de casa, alimentando uma obsessão por Stacey enquanto mergulhava em um universo de violência e vingança. Mesmo distante, nunca deixou de observá-la e protegê-la das sombras. Stacey, por outro lado, tenta seguir em frente carregando traumas, culpa e segredos que mudaram completamente sua vida. Quando seus caminhos voltam a se cruzar, sentimentos antigos ressurgem e ambos precisam enfrentar um passado que nunca foi verdadeiramente resolvido.
À primeira vista, todos os ingredientes estavam ali: um romance de segunda chance, personagens traumatizados, capítulos alternando entre passado e presente, mistério, obsessão e uma atmosfera pesada típica do gênero. Eu já sabia exatamente o tipo de história que estava começando. Não entrei esperando um romance fofo, leve ou saudável. Muito pelo contrário. Por isso, é importante dizer que o meu problema com Insaciável nunca foi o fato de ele ser um dark romance.
Violência, personagens moralmente questionáveis, obsessão, relações tóxicas e cenas explícitas fazem parte da proposta desse gênero e, quando bem escritos, podem funcionar muito bem. O problema aqui está na execução. Leigh Rivers tinha uma premissa com enorme potencial nas mãos, mas escolheu desenvolver sua narrativa de uma forma que, para mim, acabou tornando a leitura cansativa, repetitiva e emocionalmente vazia.
Quando o smut ocupa o lugar da narrativa
Os primeiros 40% ou 50% da leitura me prenderam bastante. Eu queria descobrir o que havia acontecido entre Kade e Stacey, entender por que eles carregavam tanta mágoa um do outro e conhecer melhor o passado daqueles personagens. Havia perguntas suficientes para manter minha curiosidade viva e eu realmente acreditava que o livro caminharia para um desenvolvimento interessante. Infelizmente, isso nunca acontece.
Depois da metade da história, tive a impressão de que o enredo simplesmente para de avançar. Os conflitos continuam exatamente os mesmos, as respostas importantes nunca chegam e a narrativa entra em um ciclo que se repete até a última página. Os protagonistas estão discutindo? Surge uma cena de sexo. Existe algum conflito importante que deveria ser resolvido? Surge outra cena de sexo. Voltamos ao passado? Mais uma cena de sexo. Retornamos ao presente? A mesma coisa acontece novamente.
Não é uma questão de existir conteúdo explícito. Eu já sabia que isso faria parte da leitura. O problema é que essas cenas passam a ocupar o espaço que deveria ser destinado ao desenvolvimento da história.
Enquanto os personagens poderiam estar conversando, enfrentando seus traumas ou finalmente revelando os segredos que movem toda a narrativa, eles simplesmente... trans@m. Quando estava perto de chegar do final, eu só comecei a pular essas partes de tão cansativo que estava. É como se qualquer possibilidade de aprofundamento emocional fosse constantemente interrompida por mais uma cena hot.
Depois de algum tempo, elas deixam de causar qualquer impacto porque começam a parecer repetição.
Foi exatamente nesse momento que tive a sensação de estar lendo uma fanfic muito longa.
A autora insiste em chamar isso de amor, mas eu só enxerguei obsessão
Talvez essa tenha sido minha maior dificuldade durante toda a leitura. O livro repete inúmeras vezes que Kade e Stacey vivem um amor intenso, profundo e inevitável. O problema é que esse amor nunca é construído diante do leitor. Nós somos informados de que eles se amam. Mas quase nunca vemos esse amor acontecendo.
O que existe entre eles é uma obsessão extremamente intensa e uma atração física quase incontrolável. Isso fica evidente desde o início e funciona muito bem dentro da proposta do dark romance. Só que obsessão, por si só, não sustenta um romance.
Faltam diálogos sinceros.
Faltam momentos de vulnerabilidade.
Faltam pequenas cenas de intimidade que não envolvam desejo físico.
Falta cumplicidade.
Em muitos momentos eu simplesmente me perguntava como a autora esperava que eu acreditasse naquele relacionamento se os protagonistas mal conseguiam conversar durante cinco minutos sem que tudo terminasse em sexo. Um romance precisa convencer o leitor de que existe algo além da química física. Em Insaciável, infelizmente, eu nunca consegui enxergar esse "algo a mais".
Uma história que poderia ter metade das páginas
Outro aspecto que prejudicou bastante minha experiência foi o tamanho do livro. São cerca de quinhentas páginas. Na minha opinião, essa história funcionaria muito melhor se tivesse aproximadamente duzentas. A sensação constante era de que a narrativa estava sendo esticada artificialmente para justificar uma trilogia. Os capítulos alternam entre passado e presente, mas ao invés de responderem às perguntas mais importantes da história, acabam repetindo praticamente a mesma dinâmica entre os protagonistas. Boa parte dos flashbacks serve apenas para mostrar mais momentos de atração física entre eles, enquanto o grande mistério permanece cuidadosamente escondido.
Em diversos momentos ficou muito evidente que certas informações estavam sendo omitidas apenas para obrigar o leitor a continuar os próximos livros. Não porque fazia sentido para a narrativa. Mas porque era conveniente para a série. Esse tipo de construção acaba gerando frustração, porque o livro termina sem entregar uma verdadeira sensação de conclusão.
O passado consegue ser muito mais interessante que o presente
Curiosamente, a parte da história que mais me interessou foi justamente aquela que mostrava a adolescência dos protagonistas. Esses capítulos tinham uma carga emocional muito maior. Era ali que conseguíamos entender melhor quem Kade e Stacey eram antes de todos os acontecimentos que transformaram suas vidas. Gostei especialmente de acompanhar a evolução da Stacey naquele período e compreender os acontecimentos que moldaram seus medos e suas inseguranças.
Talvez seja justamente por isso que ainda exista uma pequena curiosidade para ler a continuação. Não pelos protagonistas no presente. Mas porque sinto que ainda existem lacunas importantes daquele passado que poderiam render uma história muito melhor do que a que efetivamente foi contada neste primeiro livro.
Infelizmente, até mesmo esses capítulos acabam desperdiçados em muitos momentos porque voltam a priorizar a tensão sexual em vez da evolução emocional.
O trauma da Stacey é o verdadeiro coração da obra
Apesar das minhas críticas, existe um aspecto que considero muito bem desenvolvido. Leigh Rivers consegue escrever o trauma da Stacey com bastante sensibilidade. É impossível não compreender o medo constante que ela sente. O abuso que sofreu, a culpa, o receio de contar a verdade, o medo de não ser acreditada e a insegurança de colocar outras pessoas em risco são elementos que tornam sua construção muito humana. Em vários momentos consegui me colocar no lugar dela.
Consegui entender por que ela tomava determinadas decisões, mesmo quando elas eram frustrantes.
O mesmo acontece com Kade. Também conseguimos compreender parte de suas motivações, especialmente o medo de perder as pessoas que ama e o desejo quase desesperado de proteger sua família. Por isso acredito que havia personagens interessantes aqui. O problema nunca foi a existência de conflitos. Foi a falta de espaço para desenvolvê-los.
Sempre que a narrativa parecia finalmente mergulhar nesses aspectos emocionais, ela rapidamente voltava para mais uma sequência de cenas explícitas.
A trama de máfia nunca conseguiu me convencer
Existe outro ponto que acabou comprometendo bastante minha experiência: toda a construção envolvendo assassinos profissionais e essa estética de máfia. Eu entendo perfeitamente que romances trabalham com exageros. Principalmente dentro do dark romance.
Mas todo universo ficcional precisa manter uma lógica interna minimamente convincente. É muito difícil acreditar que um garoto rico de dezessete anos consiga, em menos de dois anos, se transformar em um assassino extremamente respeitado, especialista em armas, lutas, infiltrações e tudo o que a narrativa exige dele. Chega um momento em que a suspensão da descrença simplesmente desaparece. A sensação é que a autora queria construir um personagem extremamente perigoso sem se preocupar em tornar essa evolução minimamente plausível. Se toda essa parte envolvendo máfia e assassinatos tivesse sido deixada de lado e o foco permanecesse apenas na relação entre Stacey, seus traumas e a segunda chance entre os protagonistas, acredito sinceramente que a história teria funcionado muito melhor.
(SPOILER) Até mesmo o trope da gravidez entra nessa lista de decisões que, para mim, acrescentam muito pouco ao enredo. Foi um recurso dramático completamente desnecessário e que não trouxe nenhuma contribuição real para a narrativa.
Personagens secundários mais interessantes que os protagonistas
Uma das maiores ironias de Insaciável é que eu terminei o livro gostando mais dos personagens secundários do que dos protagonistas. E isso diz bastante sobre a construção da obra.
Tobias Mitchell, por exemplo, aparece muito pouco, mas sempre que surgia em cena roubava completamente minha atenção. Existe uma presença nele que faz com que o leitor queira descobrir mais sobre sua história, algo que curiosamente nunca senti em relação ao casal principal.
Já Kade, apesar de toda a reputação construída ao seu redor, me pareceu emocionalmente muito imaturo durante praticamente toda a narrativa. Suas atitudes lembravam mais um adolescente impulsivo do que alguém moldado por anos de violência e experiências extremas.
Stacey também vive presa em um ciclo constante de omissões, inseguranças e medo, e embora essas reações façam sentido por causa do trauma que ela carrega, a falta de comunicação entre os dois transforma o relacionamento em uma sequência interminável de mal-entendidos.
No fim, tive a impressão de acompanhar duas pessoas incapazes de conversar sobre seus próprios sentimentos enquanto acumulavam segredos e deixavam que todas as situações fossem resolvidas pela atração física.
Talvez o problema também seja o momento em que estou como leitora
Enquanto lia Insaciável, tive uma sensação que não conseguia ignorar. Era como se eu tivesse voltado aos meus doze anos, quando passava horas lendo fanfics no Wattpad e no Social Spirit. Naquela época, provavelmente eu teria adorado uma história como essa. Hoje, não mais. E isso não significa que o dark romance seja um gênero ruim.
Significa apenas que meus gostos mudaram. Atualmente procuro romances que invistam mais na construção emocional dos personagens, em diálogos, em amadurecimento e em relações capazes de me convencer de que existe amor para além da obsessão.
Percebi, durante essa leitura, que esse tipo de dinâmica já não desperta meu interesse da mesma forma.
Não consigo mais me enxergar envolvida por uma história que dedica muito mais espaço ao desejo físico do que ao desenvolvimento dos personagens.
Talvez essa tenha sido uma das maiores conclusões que tirei dessa experiência.
Mais do que descobrir se gostei ou não do livro, percebi que também mudei como leitora.
Considerações finais
Insaciável não é um livro que fracassa por pertencer ao gênero dark romance. Existem excelentes obras dentro desse universo que conseguem equilibrar obsessão, violência, romance e desenvolvimento emocional de maneira extremamente envolvente.
O que me decepcionou aqui foi perceber uma história com enorme potencial sendo constantemente interrompida por escolhas narrativas que enfraquecem justamente aquilo que ela tinha de mais interessante. O mistério demora demais para avançar, o romance nunca me convenceu, os conflitos emocionais são deixados em segundo plano e a trama acaba se apoiando excessivamente em cenas de sexo que, depois de um tempo, deixam de acrescentar qualquer coisa ao enredo.
Ainda assim, não posso deixar de reconhecer a qualidade da escrita da Leigh Rivers. A leitura é fluida, os capítulos passam rapidamente e existe um ritmo que faz com que seja difícil abandonar completamente a história. Minha crítica nunca foi à forma como ela escreve, mas às prioridades que escolheu dar para essa narrativa.
No fim, terminei Insaciável com a sensação de que havia material para um excelente romance de segunda chance sobre trauma, culpa e reconstrução. Em vez disso, encontrei uma história excessivamente longa, repetitiva e que confundiu obsessão com romance em diversos momentos.
Talvez eu ainda leia a continuação por curiosidade em relação ao passado dos personagens, mas certamente não pela expectativa de acompanhar o casal principal. E, acima de tudo, essa leitura serviu para me mostrar que hoje procuro histórias capazes de me emocionar muito mais pelas conversas, pela cumplicidade e pela construção do amor do que pela intensidade das cenas de desejo.

INSACIÁVEL - LEIGH RIVERS SINOPSE:
Se ele não pode tê-la, ninguém mais pode!
Kade Mitchell é obcecado por alguém que ele despreza.
Uma cobra na pele de um anjo, Stacey Rhodes é tudo o que ele não consegue esquecer – a garota que destruiu seu coração e o levou para as profundezas da escuridão do submundo.
Kade a observou por anos e matou qualquer um que se aproximasse dela. Mas agora, com um breve momento de liberdade da vida em que está preso, ele está de volta e motivado a reivindicá-la, quebrando todas as regras que já fez para si mesmo.
Nem mesmo seu ódio pode parar a atração entre eles. Mas ele não pode perdoá-la... ou pode?




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