Resenha: Credence | Uma leitura intensa que não funcionou para mim 🍒🍒
- Laatena

- 6 de mai.
- 4 min de leitura
Credence é um livro que me deixou com sentimentos bem mistos. A história tem uma proposta intensa, com personagens carregados de dor, tensão e conflitos internos, mas, apesar disso, não foi uma leitura que funcionou muito bem para mim. A primeira metade do livro é um pouco lenta, principalmente porque a autora dedica bastante tempo à apresentação dos personagens principais: Tiernan, Jake, Noah e Kaleb. Como a narrativa é majoritariamente acompanhada pelo ponto de vista de Tiernan, os capítulos alternados com os outros três homens ajudam a ampliar a história e a dar mais profundidade a eles. Nesse sentido, achei interessante a forma como Penelope Douglas constrói cada um ao longo da leitura.

Credence acompanha Tiernan, uma jovem que, após uma perda importante, acaba indo parar em uma casa isolada nas montanhas, onde precisa conviver com três homens muito diferentes entre si: Jake, Noah e Kaleb. Longe de qualquer sensação de estabilidade ou conforto, a história constrói um ambiente carregado de tensão, silêncio, desejo, ressentimento e feridas mal resolvidas. Desde o início, fica claro que não se trata apenas de uma narrativa sobre convivência forçada, mas de uma história marcada por relações intensas, emoções reprimidas e dinâmicas complexas entre personagens que carregam muito mais dor do que mostram.
A primeira metade do livro é um pouco lenta, principalmente porque Penelope Douglas dedica bastante tempo à apresentação de Tiernan, Jake, Noah e Kaleb. Como a maior parte da narrativa é vista pelo ponto de vista de Tiernan, os capítulos alternados com os outros três homens ajudam a ampliar a história e a dar mais profundidade ao que está acontecendo. Achei essa escolha inteligente, porque permite entender melhor as camadas de cada personagem e perceber que existe muita raiva, frustração, dor e ressentimento por trás das atitudes deles. Ainda assim, mesmo reconhecendo essa construção, eu não consegui achar nenhum deles realmente memorável. Eles têm personalidades distintas, sim, mas no fim acabaram não deixando uma marca muito forte em mim.
“A dor sempre nos lembra que estamos vivos. E o medo que a acompanha nos faz querer continuar assim.”
Entre os três, Jake foi o personagem que mais gostei. Ele é o mais bem desenvolvido na primeira metade do livro e eu gostei bastante da forma como a relação dele com Tiernan evolui. Existe uma construção interessante ali, e foi fácil me envolver com essa dinâmica no começo. Noah, por outro lado, me passou uma energia mais leve e até fofa, quase como um cachorrinho que só queria amor, atenção e alguém com quem conversar. Gostei da atitude atrevida e brincalhona dele, porque trouxe um contraste bom para a história. Já Kaleb é, sem dúvida, o mais sombrio, misterioso e perigoso dos três, mas também foi o que mais tive dificuldade de sentir como personagem. Ele tem presença, mas não foi alguém com quem eu realmente me conectei.
“Ela precisa de muita coisa, e todas essas coisas não se compram. Ela precisa rir e beber. Ela precisa de cócegas, abraços, colo e brincadeiras. Não quero vê-la chorar, mas se chorar, quero que ela saiba que existe conforto. Ela tem um lar.”
Apesar de todos os personagens terem funções bem definidas dentro da narrativa, eu fiquei decepcionada com o rumo final da história. A escolha de Tiernan no fim me surpreendeu, porque a conexão com essa pessoa pareceu menos forte do que com outros personagens ao longo do livro. O que mais me frustrou foi perceber que, conforme a trama se aproximava do desfecho, a química que eu tinha enxergado entre Tiernan e Jake parecia simplesmente desaparecer. O mesmo aconteceu, em certa medida, com Noah. Para mim, a forma como Tiernan “desliga” sentimentos e tensões que estavam tão construídos no começo foi abrupta demais, quase como se a história tivesse virado uma chave sem preparar direito essa transição.
“A chuva é paixão. É um grito. É meu cabelo grudando no meu rosto enquanto o abraço. É espontânea e barulhenta. A neve é como um segredo. São sussurros, luz de lareira e a busca pelo seu calor entre os lençóis às duas da manhã, quando o resto da casa está dormindo.”
No geral, Credence tem pontos interessantes, especialmente para quem gosta de histórias intensas, provocativas e com bastante carga emocional. Penelope Douglas sabe construir tensão e trabalhar personagens marcados por traumas e conflitos internos, e isso é algo que funciona bem em vários momentos do livro. Ainda assim, mesmo com essa atmosfera forte, eu não consegui me envolver de verdade com a leitura. Foi uma história que me deixou mais frustrada do que impactada, e que não conseguiu me conquistar emocionalmente.
Por isso, eu diria que é uma leitura que pode agradar quem gosta de narrativas mais obscenas, intensas e cheias de tensão entre personagens. Mas, no meu caso, não foi um livro que eu gostei muito e certamente não é uma história que eu tenha vontade de reler.

CREDENCE - PENELOPE DOUGLAS SINOPSE:
Tiernan de Haas não liga para mais nada. Filha única de um produtor de cinema e sua esposa estrela, ela cresceu com riquezas e privilégio, mas sem amor ou orientação. Enviada para colégios internos desde cedo, era impossível escapar da solidão e criar uma vida para si própria. A sombra da fama de seus pais a segue por todo lugar.
E quando eles morrem de repente, ela sabia que deveria estar devastada.
Mas alguma coisa realmente mudou? Ela sempre esteve sozinha, não esteve?
Jake Van der Berg, meio-irmão de seu pai e seu único parente vivo, assume a guarda de Tiernan, que tem mais dois meses até os dezoito anos. Indo morar com ele e seus dois filhos, Noah e Kaleb, nas montanhas do Colorado, ela logo aprende que esses homens agora têm opinião sobre o que ela escolhe se importar ou não. Com os três a colocando debaixo de suas asas, ensinando a trabalhar e sobreviver nas florestas remotas, distantes do resto do mundo, ela lentamente descobre seu lugar entre eles.




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