Resenha: Taming 7 | Uma história linda que merecia muito mais🍒🍒🍒
- Laatena

- 7 de jul.
- 11 min de leitura
Atualizado: 7 de jul.
Se você chegou aqui por acaso, preciso fazer um aviso: Taming 7 é o quinto livro da série Boys of Tommen e, apesar de acompanhar um novo casal, a leitura dos livros anteriores é essencial para entender todas as relações, acontecimentos e conflitos que moldam essa história. A série é completamente interligada, e muitos dos momentos de Gibsie e Claire vêm sendo construídos desde o primeiro volume.
Inclusive, já compartilhei minhas opiniões sobre os livros anteriores aqui no blog:
Agora, se você já conhece a trajetória dos personagens de Tommen, chegou a hora de falar sobre um dos casais mais aguardados da série. Depois de tantos livros acompanhando as brincadeiras, a amizade e a conexão inabalável entre Gibsie e Claire, finalmente descobrimos o que realmente existia por trás dos sorrisos do garoto que sempre fazia todo mundo rir, e, acredite, essa história é muito mais dolorosa do que eu poderia imaginar.
Taming 7 é o quinto volume da série Os Garotos de Tommen, publicada no Brasil pela Editora Bloom. Na sinopse oficial, Gerard “Gibsie” Gibson é descrito como um comediante nato que, por trás do sorriso, esconde “lembranças dolorosas”.
Só Claire Biggs enxerga além dessa fachada: ela conhece o coração ferido de Gibsie e está decidida a domar o coração selvagem e partido do seu melhor amigo de infância. Quando os limites entre amizade e algo mais começam a se esbater, resta a pergunta: o que os une vai se aprofundar ou se perderá no caos? Esse é o ponto de partida do livro, que intercala os pontos de vista de Gibsie e Claire enquanto a amizade de anos se transforma num romance complicado.

Desde cedo fomos apresentados a Gibsie e Claire na série: vizinhos que cresceram juntos em Tommen. Gibsie sempre foi o “palhaço” do grupo – o engraçadinho que faz todos rirem – mas guardando um trauma profundo. Quando ainda era criança, um acidente de barco matou seu pai e a irmã, deixando-o apenas com a mãe (que casou-se novamente) e com o meio-irmão Mark, vindo desse segundo casamento. Esse passado trágico paira sobre Gibsie em silêncio, manifestando-se em pesadelos recorrentes e no humor exagerado que ele usa como escudo.
Claire, por outro lado, é o “raio de sol” da história: leve, divertida e sempre de bom humor, ela passou a infância admirando Gibsie sem que ele notasse. É ela quem “conhece Gerard que mais ninguém vê” e deseja domar aquele coração partido.
Desde o início, fica claro para todos (e para nós leitores) que Gibsie e Claire têm sentimentos um pelo outro, mesmo que tratem isso como brincadeira de fim de ano escolar, falando em casamento futuro e filhos como crianças. Chloe Walsh constrói uma história magistral entre eles: página após página revela como a amizade longa vai se tornando algo mais, até que o casal não consegue mais negar o que sente.
Conforme a história avança, Claire segue sendo a confidente que “sabe tudo” de Gibsie – ela percebe cada pesadelo, cada choro às escondidas – servindo de porto-seguro para ele. Nos momentos em que Gibsie desespera, é sempre à casa dela que ele acaba, num trajeto quase automático “do outro lado da rua” rumo à cama de Claire (seu refúgio noturno). Por outro lado, vemos Claire lidando com dúvidas: ela mantém a alegria típica da personagem, só ficando menos vibrante quando questiona como ajudar Gibsie ou como lidar com seus próprios sentimentos.
Marcando a trama, está também o mistério de Mark, o meio-irmão de Gibsie. Desde o anúncio da presença de Mark na família, paira tensão, ele parece ferir Claire e Gibsie de alguma forma, mas só no final entendemos exatamente o papel que Mark teve na tragédia de ambos. Outro personagem-chave é Lizzie, amiga de Shannon, cuja jornada paralela acaba ocupando boa parte da narrativa (comentaremos abaixo sua influência).
O que esperar de Taming 7?
A história começa mostrando Gibsie em apagões de sono e pesadelos, enquanto Claire o observa preocupada. Aos poucos, a narrativa alterna os pontos de vista de cada um. Gibsie vê sua vida atual através do prisma do humor: ele se descreve como pequeno e “não merecedor de amor”, mantendo a fachada do garoto feliz. Claire, por sua vez, reflete sobre o amor que guarda por Gibsie desde a infância, ele é seu “ursinho” e ela deseja conquistá-lo de vez. Ao longo do livro eles começam a se aproximar de verdade, até o ponto inevitável em que os amigos de colégio cruzam a linha entre carinho platônico e paixão. Essa transição é encarada como um jogo de tudo ou nada, uma escalada de emoção e medo: “ela sabe fazer um slowburn visto como poucas vezes”, escreveu uma resenhista, elogiando a construção gradual que leva ao primeiro beijo de infância finalmente consumado.
No meio desse romance em formação, segredos vêm à tona. Gibsie confronta o trauma do passado (cujo aspecto mais perturbador só é revelado tardiamente) e Claire enfrenta as consequências de algumas escolhas. Especialmente no clímax, o relacionamento do casal é testado: descobertas dolorosas fazem Claire agir precipitadamente ao confrontar o passado de Gibsie (traindo a confiança dele), o que resulta num desentendimento feroz. O final pega o leitor de surpresa com um conflito intenso – tanto que muitos fãs relatam ter chorado ao lê-lo. Nas palavras de uma blogueira, o término “destroçou meu coração”: ela relata que precisou chorar até dormir na noite que terminou o livro, mas espera que tudo se resolva positivamente depois que os traumas vieram à tona.
Muito além de um romance
Chloe Walsh segue a linha dramática da série: apesar de personagens jovens, há uma aura adulta no romance. Ela não hesita em recorrer ao drama pesado para contar a história (como destacam outros resenhistas), há muito sofrimento, traumas e cenas fortes, embora sem ser um texto “denso” demais. Há duplo ponto de vista (Claire e Gibsie), o que nos aproxima da mente de cada um. Em especial, a visão interna de Gibsie mostra o quão doloroso é manter o humor como proteção: suas entranhas de tristeza, insegurança e culpa aparecem reveladas, fazendo o leitor chorar junto com ele. O ritmo é fluido, mas intenso: são quase 460 páginas, porém muitos leitores comentam que a leitura flui rápida, repleta de diálogos e cenas de auto-descoberta. A autora descreve também algumas situações com leveza e humor, aliviando o clima; mas não se engane, os momentos mais sombrios vêm carregados de emoção. Como destaca outra resenha, o livro tem “um bom romance temperado por elementos emocionalmente adultos”.
“Gibsie pertencia ao resto do mundo. Gerard pertencia apenas a mim.”
Quanto ao tema central, fica claro que trauma e cura são o eixo da trama. Tanto Gibsie quanto diversos coadjuvantes carregam fantasmas do passado. Um critério recorrente nas opiniões de leitores estrangeiros é que Taming 7 acaba tendo muito mais cenas de recuperação emocional e tensão do que de romance propriamente dito. Em suma, é um enredo de crescimento pessoal e apoio mútuo, ainda que ambientado num contexto de amor e amizade.
Uma das coisas que mais funcionou para mim em Taming 7 foi, sem dúvidas, o Gibsie. Desde Binding 13 ele sempre foi aquele personagem que roubava a cena com as piadas, as provocações e o jeito leve de enxergar a vida. Era impossível não gostar dele. Mas, ao mesmo tempo, sempre existiu aquela sensação de que toda aquela felicidade escondia alguma coisa. E escondia mesmo.
Entrar na cabeça do Gibsie foi uma experiência muito dolorosa. Descobrir que, por trás do garoto que fazia todo mundo rir, existia alguém completamente consumido pela culpa, pelo medo e por traumas que carregava desde a infância me destruiu. Em muitos momentos eu só queria entrar dentro do livro e abraçá-lo. Ver como ele se enxergava pequeno, indigno de amor e incapaz de dividir sua dor com qualquer pessoa foi uma das partes mais difíceis da leitura. A Chloe Walsh consegue escrever personagens emocionalmente quebrados como poucas autoras conseguem, e mesmo achando que esse livro deixou a desejar em alguns aspectos, isso continua sendo uma das maiores qualidades da série.
Quando o porto seguro sempre foi a pessoa ao lado
Outro ponto que eu simplesmente amo é a relação entre Gibsie e Claire. Para mim, eles sempre foram um dos casais mais bonitos de Boys of Tommen. Existe uma delicadeza na forma como eles se conhecem, se entendem e se escolhem que torna tudo muito natural. Não existe paixão repentina, nem grandes declarações logo de cara. Existe amizade, cumplicidade e anos construindo um lugar seguro um no outro. E isso torna o romance muito mais especial.
“Porque esse garoto sempre foi meu garoto favorito. Meu amigo favorito, pessoa, humano, tudo.”
O slow burn também funciona muito bem. Chloe Walsh sabe construir tensão romântica como poucas autoras conseguem, justamente porque ela não precisa convencer o leitor de que aqueles personagens se amam. Nós já sabemos disso há vários livros. O medo deles nunca foi descobrir os próprios sentimentos, mas sim arriscar uma amizade de toda uma vida por um relacionamento que poderia dar errado. Esse receio faz sentido, e acompanhar esse processo foi uma das partes que mais gostei da história.
Talvez uma das cenas que melhor represente isso seja quando descobrimos que, durante os pesadelos, Gibsie atravessa a rua sonâmbulo para dormir na cama da Claire. Ele nem precisava pensar. Era simplesmente para lá que seu corpo o levava.
"Eu não precisava abrir os olhos para saber que tinha entrado sonâmbulo no seu quarto. De novo. Era o único lugar para onde minhas pernas me levavam. Era o único lugar onde eu conseguia respirar."
Essa cena acabou comigo. Porque mostra que, mesmo quando tudo dentro dele estava quebrado, Claire sempre foi o lugar onde ele encontrava paz. Ela era o seu porto seguro antes mesmo de qualquer um dos dois admitir que existia amor ali.
Uma história que merecia muito mais
Mas, justamente por amar tanto esses personagens, foi impossível não sentir uma enorme frustração com algumas escolhas da autora.
A sensação que tive durante boa parte da leitura foi de que Taming 7 foi escrito às pressas. Depois descobri que existiam comentários de que Chloe Walsh pretendia publicar o livro da Lizzie antes, mas que a editora acabou invertendo a ordem dos lançamentos. Não sei até que ponto isso realmente influenciou o resultado final, mas, sinceramente, faz sentido. Porque o livro passa uma sensação constante de falta de desenvolvimento.
Enquanto Keeping 13 e, principalmente, Redeeming 6 dedicam centenas de páginas para explorar cada detalhe dos personagens, aqui tudo parece acontecer rápido demais. Quando finalmente começamos a entender o tamanho dos traumas do Gibsie, o livro já está caminhando para o fim. A revelação mais importante da história acontece praticamente nos capítulos finais e, quando finalmente pensamos que veremos as consequências de tudo aquilo, a narrativa simplesmente acaba.
E esse talvez tenha sido o meu maior problema com Taming 7. Um trauma daquela dimensão não se resolve em poucos capítulos. Não existe cura rápida para alguém que passou tantos anos reprimindo tudo o que viveu. Eu queria acompanhar mais desse processo. Queria ver Gibsie aprendendo a lidar com aquilo, buscando ajuda, reconstruindo sua relação com as pessoas ao redor. Mas o livro termina justamente quando essa jornada começa.
O livro do Gibsie... ou de outra pessoa?
Também senti falta de um desenvolvimento maior do romance. A ideia de friends to lovers continua sendo maravilhosa e funciona muito bem porque existe uma história construída entre eles desde o primeiro livro. Só que, na prática, achei que eles tiveram poucos momentos realmente deles. Existem muitos diálogos repetitivos, muito "empurra e puxa" e, principalmente na segunda metade da história, o romance acaba ficando em segundo plano.
E isso acontece porque boa parte do livro parece mais interessada em desenvolver conflitos de outros personagens do que do próprio casal principal.
Eu gosto da Lizzie como personagem e sei que ela tem uma história extremamente complexa, mas, em vários momentos, tive a sensação de que estava lendo uma preparação para o livro dela, e não o livro do Gibsie e da Claire. Existem capítulos inteiros dedicados a conflitos paralelos enquanto eu só queria passar mais tempo com os protagonistas. Isso me incomodou bastante, porque estava bastante ansiosa pelo livro do Gibsie e senti que ele acabou dividindo espaço demais com histórias que poderiam ter sido desenvolvidas em outro momento.
A Claire também acabou sendo uma personagem que me deixou bastante dividida.
Desde os primeiros livros ela sempre foi exatamente como aparece aqui: divertida, espontânea, engraçada e, talvez, a adolescente mais "normal" de todo esse universo. Enquanto praticamente todos ao redor carregam traumas profundos, Claire cresceu vivendo uma realidade muito menos dolorosa. E eu acho injusto cobrar dela uma maturidade que ela simplesmente ainda não tem. Ela é apenas uma adolescente tentando fazer o melhor que consegue.
Ao mesmo tempo, algumas atitudes dela realmente me incomodaram.
Principalmente na forma como ela lida com a Lizzie e, mais tarde, com o próprio trauma do Gibsie. Em relação à Liz, senti falta de empatia. Claire muitas vezes julga alguém cuja história ela sequer conhece completamente. Existe uma fala do Hughie pedindo para ela não abandonar a Lizzie porque ela precisava dela, e a resposta da Claire, dizendo que ela não precisava da Liz, me marcou negativamente. Achei uma postura bastante egoísta. Mas nada me incomodou mais do que a maneira como ela conduz a revelação do trauma do Gibsie. E talvez esse seja um ponto muito pessoal para mim.
Eu entendo perfeitamente que a intenção dela era protegê-lo. Defender quem ama parece a atitude mais natural do mundo. Mas existe uma diferença enorme entre proteger alguém e tomar uma decisão que pertence exclusivamente a essa pessoa. Traumas não têm prazo. Não têm roteiro. Não têm jeito certo de serem enfrentados.
Quando alguém passa por uma violência tão profunda, contar o que aconteceu exige tempo, preparo e, principalmente, escolha. É uma decisão extremamente íntima. Por isso, ver Claire expondo uma dor que não era dela, sem respeitar o tempo do Gibsie, foi algo que realmente me incomodou durante a leitura. Em nenhum momento consegui enxergar aquilo como um gesto romântico. Para mim, acabou parecendo uma invasão da única coisa que ainda pertencia a ele: o direito de decidir quando estaria pronto para falar.
Outro personagem que despertou minha indignação foi a mãe do Gibsie. Na verdade, isso já virou quase um padrão em Boys of Tommen. A quantidade de pais negligentes nessa série é absurda. Mas, neste livro, isso me afetou ainda mais. Como uma mãe não percebe o próprio filho chegando em casa constantemente machucado? Como não questiona roupas sujas de sangue? Como normaliza um menino saindo sozinho durante a madrugada desde criança, tendo crises constantes e claramente demonstrando sinais de sofrimento? É impossível não sentir revolta. Porque, por mais que Gibsie escondesse muita coisa, existiam sinais demais para simplesmente passarem despercebidos. Essa negligência familiar acaba sendo mais uma camada da tragédia que cerca o personagem.
Mesmo assim, eu amei essa história
Em resumo, Taming 7 entrega o prometido friends-to-lovers entre Gibsie e Claire, com uma dose cavalar de drama e emoção. Chloe Walsh é elogiada por dar profundidade a personagens que antes eram coadjuvantes e por descrever o romance deles de forma sincera e lenta. No entanto, o livro divide opiniões: muitos leitores aplaudem o enredo cativante e a construção de personagens (como destacou a resenha oficial, a conexão entre Gibsie e Claire é intensa e verdadeira), enquanto outros ficam frustrados com o ritmo apressado e a sensação de que o foco principal se perdeu.
Para quem tem acompanhado Os Garotos de Tommen, Taming 7 é leitura obrigatória para conhecer a história completa de Gibsie e Claire, e chorar um pouquinho no caminho. O livro revela facetas profundas de Gibsie que justificam o amor que Claire sempre sentiu, e ainda deixa espaço para especulações sobre o futuro (alguns torcem por um epílogo ou nova sequência para fechar as pontas). No fim das contas, é uma história intensa sobre amadurecimento, com highs emocionantes e lows doloridos, mas que solidifica, de qualquer forma, porque esses dois se amam tanto. Quem for fã do casal provavelmente vai sair dividido: feliz pelas descobertas do casal, mas esperando por um desfecho mais completo.

TAMING 7 - CHLOE WALSH SINOPSE:
Ela é um raio de sol. Ele é o bobo da turma. Mas nuvens carregadas se aproximam, e o tempo está fechando para esse garoto de Tommen.
Gerard Gibson, mais conhecido como Gibsie, é o engraçadinho do Tommen. Para todos, um comediante nato, mas por trás desse jeitão existe um garoto atormentado por um passado terrível. O humor é seu mecanismo de defesa, e ele prefere esconder suas feridas do mundo — e de si mesmo.
Só tem uma pessoa que enxerga além disso: sua ursinha.
Reluzente como um raio de sol, Claire Biggs passou a vida admirando o garoto que mora do outro lado da rua. Ela conhece o Gerard que mais ninguém vê e está disposta a domar o coração selvagem de seu melhor amigo de infância.
Conforme essa relação vai desabrochando em algo mais intenso, coisas inesperadas acontecem, segredos há muito adormecidos são revelados e limites são ultrapassados. Será que o amor de Gibsie e Claire vai resistir aos piores traumas?




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