top of page

Resenha: Releasing 10 | Cinco estrelas e um coração partido🍒🍒🍒🍒🍒

  • Foto do escritor: Laatena
    Laatena
  • 7 de jul.
  • 9 min de leitura

Se você chegou aqui por acaso, preciso fazer um aviso: Releasing 10 é o sexto livro da série Boys of Tommen e, apesar de acompanhar um novo casal, a leitura dos livros anteriores é essencial para entender todas as relações, acontecimentos e conflitos que moldam essa história. A série é completamente interligada, e grande parte da trajetória de Lizzie e Hugh vem sendo construída desde o primeiro volume, mesmo que sempre em segundo plano.


Inclusive, já compartilhei minhas opiniões sobre os livros anteriores aqui no blog:


Agora, se você já conhece a trajetória dos personagens de Tommen, chegou a hora de falar sobre um dos casais mais aguardados de toda a série. Depois de tantos livros vendo apenas pequenos fragmentos da história de Lizzie Young e Hugh Biggs, finalmente entendemos tudo o que aconteceu antes da chegada de Shannon em Tommen. E, sinceramente, eu estava preparada para sofrer... mas não imaginava que Chloe Walsh entregaria a história mais dolorosa, complexa e emocionalmente devastadora de toda a série.



Desde as minhas primeiras resenhas da série Boys of Tommen, eu sempre disse que Lizzie Young era uma das personagens que mais despertava minha curiosidade. Principalmente depois de Redeeming 6, quando passamos a enxergar um pouco mais do que existia por trás da garota explosiva, impulsiva e constantemente julgada por todos. Ainda assim, por mais que eu gostasse dela, nunca passei pano para as atitudes que teve com Gibsie em Taming 7. Eu entendia que existia muita dor por trás de tudo aquilo, mas isso nunca anulou a forma cruel como ela o tratou. Justamente por isso, eu sabia que Releasing 10 seria um livro difícil de ler. O que eu não imaginava era que ele me destruiria completamente.


Chloe Walsh não escreveu apenas mais um romance da série. Ela escreveu uma história que dói, sufoca, emociona e permanece com o leitor muito tempo depois da última página. Foi uma daquelas leituras que alteram a química do cérebro, daquelas que fazem você fechar o livro e continuar pensando nos personagens durante dias.


Antes de qualquer coisa, preciso reforçar o mesmo aviso que a autora faz na sinopse. Este é, sem dúvidas, o livro com os gatilhos mais pesados de toda a série. A narrativa aborda abuso infantil, violência, luto, depressão, transtorno bipolar, automutilação, negligência familiar e diversos outros temas extremamente delicados. Houve muitos momentos em que precisei interromper a leitura porque simplesmente estava difícil continuar. Em alguns capítulos eu conseguia sentir um pouco do peso que Lizzie carregava, e isso tornou toda a experiência ainda mais intensa. Então, se você estiver passando por um momento emocionalmente delicado, talvez seja melhor esperar um pouco antes de iniciar essa leitura. Vale a pena, mas ela exige muito emocionalmente.


Finalmente conhecemos a verdadeira Lizzie Young


Assim como aconteceu em Taming 7, Chloe Walsh opta por iniciar a história muitos anos antes dos acontecimentos que já conhecemos. Voltamos para a infância dos personagens e acompanhamos o momento em que Lizzie e Hugh se conhecem ainda crianças. É um encontro extremamente simples: Lizzie era amiga de Claire, Hugh entrega um convite para sua festa de aniversário durante o trajeto de ônibus e, a partir dali, nasce uma amizade quase instantânea. Aos poucos, essa amizade se transforma em cumplicidade, depois em melhores amigos e, inevitavelmente, no grande amor da vida um do outro.

Foi impossível não me apaixonar pelos dois desde o começo. Existe uma leveza enorme nos primeiros capítulos justamente porque eles ainda são crianças, mas, ao mesmo tempo, nós já sabemos o destino que essa história terá. Essa sensação faz com que cada momento feliz carregue uma tristeza silenciosa, porque sabemos exatamente o que está esperando por eles mais adiante.

“Eu não conseguia parar de pensar no que você me disse, sobre como você sempre sentiu que deveria se afogar,” ele explicou, apertando cuidadosamente a tornozeleira ao redor do meu tornozelo esquerdo. “Bem, eu coloquei isso lá para lembrá-lo de que, enquanto eu tiver ar nos meus pulmões, nunca vou deixar você afundar.”

Antes mesmo da morte de Caoimhe, a vida de Lizzie já estava muito longe de ser feliz. Enquanto ela tentava viver uma infância que nunca teve de verdade, também enfrentava terrores que nenhuma criança deveria conhecer. O mais revoltante de tudo é perceber que, durante anos, ela tentou contar o que estava acontecendo. Tentou pedir ajuda. Tentou explicar que havia um "monstro" que aparecia todas as noites. Mas ninguém acreditava nela. Nem seus pais. Nem os adultos que deveriam protegê-la. Todos simplesmente descartavam suas falas, tratando tudo como imaginação ou, mais tarde, como consequência de sua doença mental. Como leitores, entendemos muito mais do que a própria Lizzie, justamente porque ela ainda era apenas uma criança tentando compreender o horror que vivia diariamente.

“Tremendo violentamente, eu o vi beijar minha vergonha. Porque aquelas cicatrizes nos meus pulsos retratavam as partes mais feias da minha mente. Mas Hugh beijou cada um como se fossem lindos. Como se eu fosse bonita. Como se eu ainda fosse eu.”

É nesse momento que Hugh passa a ocupar um espaço tão importante na vida dela. Muito antes de se tornar seu namorado, ele já era seu porto seguro. Ele acredita em Lizzie quando ninguém mais acredita. Escuta suas dores, respeita seus medos e permanece ao seu lado mesmo sem compreender completamente tudo o que está acontecendo. É impossível não perceber que ele se torna a única pessoa capaz de manter Lizzie minimamente no eixo em meio a tanto caos.


Um retrato extremamente doloroso sobre trauma e saúde mental


Quando a morte de Caoimhe acontece, tudo aquilo que já estava fragilizado simplesmente desmorona. Nós já conhecíamos esse acontecimento pelos livros anteriores, mas vivê-lo pelos olhos da Lizzie muda completamente nossa percepção da história. A partir dali, ela passa a acreditar que está enlouquecendo. Ela sabe que viu alguma coisa naquele dia. Sabe que existe uma verdade que ninguém quer enxergar, mas sua memória está fragmentada e todos ao seu redor preferem acreditar que ela apenas está confusa por causa do transtorno bipolar.

“Em algum momento no passado, quando eu era pequena, achava que poderia ser feliz. Naquela época, a felicidade me parecia tangível. Mas a escuridão sempre acabava levando a inocência com a correnteza.”

Essa talvez seja a parte mais angustiante do livro. Não é apenas acompanhar uma personagem sofrendo. É acompanhar alguém sendo desacreditada durante toda a vida. Tudo o que Lizzie sente parece ser invalidado. Tudo o que ela tenta explicar é ignorado. Aos poucos, ela deixa de confiar até mesmo em si própria. Chloe Walsh constrói essa narrativa com uma sensibilidade impressionante. Em nenhum momento ela romantiza o sofrimento da personagem. Pelo contrário. Ela mostra o quanto viver com um transtorno mental pode ser cruel, principalmente quando a pessoa não encontra acolhimento nem dentro da própria família.


Foi justamente nessa parte que precisei parar de ler por algumas horas. Eu realmente achei que aquele seria o momento mais doloroso da história. Mal sabia eu que o livro ainda guardava muito mais sofrimento.


Hugh Biggs: agora eu entendo por que o fandom o ama tanto


Se Lizzie foi quem destruiu meu coração, Hugh foi quem o manteve inteiro durante boa parte da leitura. Agora eu finalmente entendo por que ele é tão amado pelos leitores da série.

Hugh é um daqueles personagens que parecem bons demais para existir. Ainda criança, ele abre mão de parte da própria infância para cuidar de Lizzie. Conforme os anos passam, ele continua sendo a pessoa que permanece quando todos os outros vão embora. Ele cuida, protege, acolhe e ama de uma maneira que chega a ser comovente. Mas existe algo que torna essa história ainda mais bonita: Chloe Walsh nunca transforma Hugh em um salvador.


Ele tenta salvar Lizzie.

Ele faria absolutamente qualquer coisa por ela.

Mas o amor, por maior que seja, não cura transtornos mentais. Não apaga traumas. Não desfaz anos de abuso.


Essa talvez seja uma das mensagens mais importantes de Releasing 10. Hugh ama Lizzie profundamente, mas isso não significa que consiga curá-la. E assistir às inúmeras tentativas dele de impedir que ela afunde ainda mais, sabendo que existem batalhas que só ela pode enfrentar, foi uma das coisas mais dolorosas que já li.

“— Não importa o que aconteça? — Não, Liz. Não importa o que aconteça.”

Outro detalhe que me marcou muito foi a forma como Hugh nunca coloca ninguém contra Lizzie. Mesmo quando tudo desmorona entre eles, mesmo tendo motivos suficientes para sentir raiva, ele jamais fala mal dela ou permite que outras pessoas a enxerguem apenas pelos seus piores momentos. Isso diz muito sobre quem ele é.


O livro mais bem desenvolvido da série


Na minha opinião, Releasing 10 também é o livro mais bem construído de toda a série. A narrativa segue uma ordem cronológica muito bem organizada, permitindo que finalmente compreendamos todas as peças desse quebra-cabeça. Entender a infância de Lizzie, acompanhar o crescimento da amizade com Hugh, presenciar a morte de Caoimhe e observar como cada acontecimento molda quem ela se torna faz toda a diferença. Quando chegamos aos acontecimentos que antecedem a chegada de Shannon em Tommen, tudo finalmente faz sentido.

"Para o resto desta vida e o que quer que viesse depois — fosse o céu, o inferno, o purgatório ou mil vidas reencarnadas —, meu coração bateria eternamente por Hugh Biggs."

É impossível terminar esse livro sem olhar para Lizzie de outra maneira. Ela continua sendo uma personagem extremamente complexa. Continua cometendo erros. Continua machucando pessoas. Mas agora entendemos de onde vem toda aquela raiva. Compreender alguém não significa justificar todas as suas atitudes, e Chloe Walsh trabalha essa linha de forma brilhante. Lizzie nunca foi uma vilã. Ela sempre foi uma menina profundamente machucada tentando sobreviver da única maneira que conhecia.


Os últimos 10% acabaram comigo


Eu realmente achei que já tinha sofrido tudo o que precisava sofrer durante essa leitura. Estava completamente enganada. Os últimos capítulos simplesmente acabaram comigo. Nós já sabíamos, pelos livros anteriores, que quando Shannon chega em Tommen, Lizzie e Hugh já não estão mais juntos. Saber disso é uma coisa. Vivenciar esse rompimento é outra completamente diferente.


Terminei esse livro chorando como poucos livros conseguiram me fazer chorar. Acho que, ao lado dos livros do Joey, esse foi o que mais mexeu comigo emocionalmente. Existe uma sensação de impotência muito grande ao acompanhar tudo aquilo sabendo que nenhuma das pessoas envolvidas queria que as coisas terminassem daquela maneira.

“Eu queria gritar para não ir, mas isso não teria ajudado nenhum de nós. “Eu sempre vou te amar, Hugh Biggs,” Liz disse quando contornou a mesa e parou na minha frente. Inalando uma respiração trêmula, ela se inclinou e pressionou um beijo na minha bochecha antes de sussurrar: “Não importa o que aconteça”. E então ela se foi.”

Quando virei a última página, senti um vazio enorme. É aquele tipo de final que faz você ficar olhando para o teto tentando processar tudo o que acabou de acontecer. Desde então, existe apenas um pensamento ocupando minha cabeça: eu preciso desesperadamente da continuação. Depois de tudo o que esses dois enfrentaram desde crianças, eu só quero acreditar que ainda existe felicidade esperando por eles.


Nem tudo é perfeito...


Meu único incômodo continua sendo algo que já havia percebido em outros livros da Chloe Walsh: ela realmente não sabe escrever crianças. Em vários momentos, Lizzie, Hugh e os demais personagens infantis possuem diálogos, pensamentos e atitudes que parecem muito mais compatíveis com adultos do que com crianças de dez anos. Algumas partes da narrativa também acabam se arrastando um pouco mais do que o necessário. Ainda assim, são detalhes muito pequenos diante da grandiosidade da história e, sinceramente, em nenhum momento diminuíram minha experiência de leitura.


Considerações finais


Existem livros que nos entretêm. Existem livros que nos fazem refletir. E existem aqueles que simplesmente nos quebram por dentro. Releasing 10 pertence completamente a essa última categoria.

Foi uma leitura intensa, sufocante, emocionante e profundamente humana. Chloe Walsh entrega um retrato extremamente sensível sobre trauma, saúde mental e sobrevivência, mostrando que algumas feridas são profundas demais para serem curadas apenas com amor, mas que isso não torna o amor menos importante. Muito pelo contrário. Hugh e Lizzie representam duas pessoas tentando sobreviver em meio aos próprios traumas, e acompanhar essa jornada foi uma das experiências mais marcantes que já tive como leitora.


Agora eu finalmente entendo por que Hugh e Lizzie são um dos casais mais amados do fandom. É impossível não se apaixonar pela Lizzie da mesma forma que Hughie se apaixonou por ela. E é impossível não amar Hughie da mesma forma que Lizzie o ama.


Só espero que Chloe Walsh tenha misericórdia de nós no próximo livro. Porque, depois de tudo o que vivi ao lado desses dois, eu preciso acreditar que eles finalmente terão o final feliz que merecem.



RELEASING 10 - CHLOE WALSH SINOPSE:


Como a dupla mais amável de melhores amigos de infância se tornou um ex-casal tão complicado e cheio de feridas? Para descobrir, mergulhe no passado de Lizzie e Hugh — e descubra como uma história de amor, às vezes, pode ser aterrorizante.

Uma garota assombrada por monstros,

Um garoto disposto a salvá-la,

Um amor posto à prova pelo passado.

Aviso: Releasing 10 aborda temas sensíveis, incluindo abuso infantil, trauma sexual, automutilação e suicídio. Contém conteúdo sexual explícito e violência gráfica. Recomenda-se cautela ao ler.

Diagnosticada com transtorno bipolar muito jovem, Lizzie Young sempre se sentiu solitária e inadequada. Mal consegue criar laços com a própria família e até sua irmã mais velha parece odiá-la. Ela só quer ser aceita e compreendida, mas carrega sozinha suas cicatrizes.

Até que, no ônibus da escola, conhece um garoto gentil, e pela primeira vez a vida parece ganhar alguma luz. Hugh Biggs é um menino de ouro: inteligente, perspicaz e com um firme senso de ética, que fica instantaneamente encantado por Liz.

Com o passar dos anos, eles não se desgrudam. Hugh, que sempre cuidou de todos ao redor, enxerga a menina brilhante que Lizzie é por trás de rótulos e remédios. E ela vê nele a única pessoa que pode protegê-la de um mundo horrível. O vínculo entre eles parece indestrutível — a química é eletrizante, o sentimento é puro e a conexão é de alma —, mas até o amor mais profundo pode ser abalado por verdades perturbadoras que ninguém gostaria de saber.

Comentários


bottom of page